[Violência Doméstica] Moradora da comunidade desabafa: “Grávida de oito meses, apanhei no meio da rua”

Atualmente, boa parte das mulheres já presenciaram ou vivenciaram alguma situação de abuso, seja físico ou psicológico. Essa realidade se faz ainda mais presente quando levantamos a questão da violência doméstica.

Inumeras mães permanecem em relacionamentos abusivos por medo de não conseguirem cuidar dos filhos, assim como, outras inumeras mães conseguem reunir força para sair de relacionamentos abusivos através dos filhos. Em ambos os casos, todas são vítimas.

Uma moradora contou com exclusividade ao NES como conseguiu unir forças para salvar a si mesma e lutar pela guarda dos filhos que se encontravam sob a tutela do agressor.

Por questões de segurança, ela não será identificada.

” Tudo começou quando conheci o pai dos meus filhos. As agrassões começaram a partir do momento em que tive o meu primeiro filho, eu não podia falar com ninguém, nem com meus familiares. Vivia numa relação dominada pelo medo.

Primeiro veio um tapa na cara, depois as agressões verbais, físicas e psicológicas. O medo tomou conta de mim.

Engravidei da minha segunda filha, hoje com 24 anos, e tudo virou de cabeça para baixo. Passei a sofrer muito, chorava dia e noite, apanhava por motivos futéis, mas o medo de deixar meus filhos me prendia ainda mais a ele.

Por consequência da vida, tive minha terceira filha, hoje falecida. Quando estava grávida de 8 meses, apanhei no meio da rua e fiquei toda roxa. Mais uma vez resisti em desistir de tudo e a agressão virou rotina, eu era agredida quase todos os dias e tive mais dois filhos, atualmente com 22 e outro com 20 anos.

A vontade de sumir era grande, mas quando olhava para os meus filhos eu continuava e ia sofrendo a cada dia por eles. Até que em 2004 não aguentei mais e saí logo cedo pela manhã com a roupa do corpo e não voltei mais.

Vim pro Nordeste de Amaralina, bairro onde passei a maior parte da minha vida, e aqui tive o apoio da minha família. Meus pais já eram falecidos mas meus irmãos me receberam de braços abertos, e foi ai que a ficha caiu; ”e meus filhos ?”.

No dia seguinte eu consegui um emprego de doméstica, onde trabalho até hoje e com uma semana fui buscar meus filhos. Mas pra minha surpresa, recebi dele uma intimação que constava que eu tinha que fazer um acordo de pensão alimenticía. Fui ao forum e me surpreendi mais ainda quando soube que eu tinha por obrigação pagar pensão pro pai dos meus filhos porque eu tinha abandonado a casa e as crianças.

Aí veio o desespero; ”perdi meus filhos, vou trabalhar pra pagar pensão até quado ?”. Pensei em voltar, mas já estava decidida a não volar mais para aquele homem, porque eu sabia que iria morrer nas mãos dele. Sofri muito mas coloquei nas mãos de Deus.

O tempo passou, após 1 ano pagando pensão, meus filhos vieram passar as férias comigo e não quiseram mais voltar pro pai. Tive que iniciar outro processo judicial e venci!

Hoje, todos os meus filhos estão comigo. Eu me tornei uma mulher mais forte, corajosa e feliz. Vivo com outra pessoa a 13 anos que me trata super bem e meus filhos tem o maior carinho por ele. Me sinto leve e bem. Quem vive em um relacionamento abusivo, precisa ter determinação e confiar que tudo dará certo. E vou continuar dizendo, EU VENCI!

E o meu conselho é: tome uma atitude. Sem determinação nada se resolve, sejam fortes e amem a si mesmas. O amor próprio é fundamental.”

O NES segue reforçando a ídeia de que, ao menor sinal de agressão não se cale, denuncie.

Contatos para denunciar;

DEAM – (71) 3116-7000

1° Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher –  (71) 3328-1195

Núcleo Especializado da Mulher – (71) 3117-9179

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Lais Lopes
Estudante de Jornalismo, ativista de todas as causas, amante da literatura, escritora e poetisa, cristã, lutando como uma garota e sempre em busca do conhecimento!