Filho de manicure e motorista, morador do Nordeste de Amaralina se torna engenheiro mecânico; confira.

Conheça a história de Caique Conceição que mesmo diante das dificuldades enfrentadas por um jovem morador da periferia se torna inspiração para muitos.

O Nordeste de Amaralina é considerado um dos bairros mais populoso de Salvador. Entre seus becos, escadarias, vielas e ladeiras se escondem grandes estrelas. Daqui surgem dançarinos, escritores, músicos, professores, médicos e diversos outros talentos. Dentro desse cenário se encontram, Caique Conceição, homem negro, filho da manicure Elisabete Batista e do motorista Marcelo Argolo, morador do Nordeste, que em meio aos obstáculos impostos pela vida conseguiu realizar seu grande sonho se formando em Engenharia Mecânica.

“Sempre acreditei no poder transformador da educação e a busca incessante por conhecimento e a importância da representatividade para que outros jovens reflitam e percebam que podem alcançar sim os seus objetivos”, assegura. Ainda segundo ele a paixão no ramo surgiu ainda na infância pelas suas experiências em família.

 “A escolha pela formação técnica em petroquímica e pela engenharia mecânica foi impulsionada pelas diversas experiências vivenciadas pelo meu avô, o mesmo foi operador industrial e relatava a sua rotina na indústria, a necessidade de monitorar e controlar os equipamentos e processos industriais, e esses relatos me marcaram de uma forma tão intensa que me despertou curiosidade acerca do funcionamento dos motores, bombas hidráulicas, do funcionamento de uma indústria no geral”, relembra.

Pleiteando a formação acadêmica superior, Caique iniciou um curso técnico a fim de conhecer mais sobre a área almejada, e conciliou a uma rotina intensa de estudos semanalmente para passar no vestibular. “Quando conseguir a bolsa de 100% para cursar engenharia mecânica ainda estava no curso técnico, o que me exigiu muita disciplina para poder conciliar as atividades”, recorda.  

Durante sua jornada não faltaram dificuldades. Nada foi fácil para um jovem negro que sonha alçar voos mais altos. Caique se viu na faculdade dentro de um contexto no qual lhe faltava representatividade, estímulos, e oportunidades para concluir a graduação, mas contou com sua força de vontade e determinação como aliados no enfrentamento.

“Entrei na graduação, foram anos de muitas batalhas, muitos obstáculos a serem ultrapassados, muita das vezes me questionava se aquele era o meu lugar, a pouca representatividade de colegas e professores negros era algo que me deixava desconfortável, afinal o meu povo não estava dentro da universidade, e essa percepção me fez de fato romper as barreiras e seguir com a graduação. Não bastava para mim ser engenheiro mecânico, eu queria levar conhecimento para outras pessoas sobre engenharia, queria ser aquele professor preto que acompanhava o aluno lado a lado para sanar as dúvidas e que evidência que o conhecimento é o caminho, é transformador. Ainda na época da graduação me tornei monitor de turma, onde já pude  vivenciar um pouco da docência, percebi que aprendia muito mais quando eu ensinava para os meus colegas experiências, decidir dar aulas de reforço em casa, entre o intervalo do trabalho e da faculdade eu atendia alunos de reforço e essas ações me mostraram que o Caique educador já estava sendo colocado em prática”, comenta.

Questionado pela reportagem qual foi o momento mais marcante da experiência vivida, Caique não hesitou em falar: “A felicidade estampada no sorriso dos meus pais e dos meus próximos no dia da formatura, afinal não era uma vitória só minha e sim deles também. Tenho muito orgulho em poder ter proporcionado essa alegria a meus pais, ambos me criaram com muita luta e muito esforço, adjetivos estes comuns para uma família preta e periférica, mas de fato lá estávamos à frente para um registro emocionante, uma mãe preta (manicure) um pai preto (motorista) e minha irmã (estudante) formando um menino preto e muito sonhador”,descreve.

 Atualmente atua como docente em uma das mais importantes Instituições que oferta cursos técnicos profissionalizantes na Bahia, para finalizar o engenheiro deixa uma mensagens para os jovens sobre o poder da transformação por meio da educação: “Procuro incentivar cada vez mais os alunos sobre a importância em buscar o conhecimento, o conhecimento nos dar voz! Procuro ser aquele professor amigo do aluno, costumo falar que hoje os cabelos brancos já tomam conta da barba, os alunos me chamam de senhor e eu os tenho como filhos. Eu enquanto homem preto, gostaria de evidenciar para todos os outros meninos e meninas pretas que não deixemos ninguém dizimar os nossos sonhos, o lugar do preto é onde ele quiser, vamos sim ser médicos”, conclui nosso talento NES.

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Luis Lago
Amante da Literatura, apaixonado pelas Letras. Discente de Letras Vernáculas e Língua Inglesa, poeta, escritor , blogueiro, professor e Repórter do site NES.