#Opinião – A morte ronda o Nordeste de Amaralina

A pandemia do novo coronavírus entrou com força e vem fazendo estragos no Complexo Nordeste de Amaralina. Até a presente data, 21 de junho, já são 484 casos confirmados, sem levar em conta a absurda subnotificação, fruto, sobretudo da baixa testagem. Fora a contagem dos casos, outro dado ainda mais cruel impressiona: nos últimos três meses 32 pessoas vieram a óbitos nos bairros do Nordeste, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas ou Chapada do Rio Vermelho. Destas 32 mortes, 11 foram tiveram por causa o covid-19, outras 8, embora tivessem sintomas relacionados à doença não tiveram confirmação quanto à contaminação e, se tiveram os familiares optaram em não relatar.

O negacionismo de parte da população, que insiste em desrespeitar cotidianamente as orientações do poder público de combate à pandemia, somado ao ineficiente serviço prestado pelos entes públicos faz aumentar de forma desesperadora o crescimento desenfreado do coronavírus entre os moradores do Complexo Nordeste de Amaralina. Em matéria publicada no dia 30 de março o Nordesteusou chamava à atenção sobre o eminente perigo de proliferação da doença no Complexo. “Pesquisa da UFBA prevê Santa Cruz como um dos bairros com maior velocidade de contágio”, dizia o título da referida reportagem. Na ocasião ainda inexistia registros oficiais de casos do coronavírus na região. Contudo, na referida oportunidade acabamos sendo alvo de criticas que nos acusavam estar “querendo plantar o terror” dentro do bairro. A primeira morte viria pouco mais de 20 dias depois: o auxiliar de enfermagem Antonio Cesar, o Cesinha.

Já no que tange ao descaso do poder público, sobretudo da Prefeitura pode ser verificado na explosão de casos de dengue, zika vírus e chikungunya, todas as três enfermidades, assim como o covid-19, ligadas às condições sanitárias. A falta de fiscalização é outro mal que precisa ser urgentemente revisto pelo poder público. Não, os efeitos do corona não são iguais para pobre e ricos. É preciso derrubar esse mito. O buraco é muito mais embaixo. As classes mais abastadas não precisam entrar em ônibus lotados e nem esperar horas ou dias por atendimento nas UPAs da cidade…

É necessário que as medidas sejam rapidamente tomadas. É urgente também que a população passe a entender o poder devastador da doença e passe a encarar a pandemia de forma responsável ou a coisa tende a piorar de forma significativa dentro do bairro. Mas por enquanto, a morte ronda o Nordeste de Amaralina.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU