Não pude escolher caixão, levar rosas, acender velas. Fiquei fazendo uma oração a 400 metros de distância.

Valdomiro Batista Gregório, de 62 anos, não tinha nenhuma comorbidade, segundo a filha, e morreu no sábado (18). Valéria Assis estava sozinha no enterro.

Técnica em enfermagem e agente de saúde Valéria Assis perdeu o pai, que teve Covid-19 — Foto: Reprodução/TV Globo

Por G1 Recife

“Foi horrível, é doloroso, eu estava só no sepultamento. Não pude escolher caixão, levar rosas, acender velas. Fiquei fazendo uma oração a 400 metros de distância. Minha mãe é hipertensa e diabética, meus amigos estavam gripados”. O depoimento é da técnica em enfermagem e agente de saúde Valéria Assis, filha do idoso Valdomiro Batista Gregório, de 62 anos, que morreu vítima do novo coronavírus .

“É uma força que vem, em parte, de Deus [continuar trabalhando], mas é difícil para nós da área de saúde estar na linha de frente. Quando você bate na linha de frente está um parente seu. É um parente que você pede para ficar em casa”, disse Valéria.

Valéria mora em Afogados e trabalha num posto de saúde na Mustardinha, bairro onde o pai dela morava, na Zona Oeste do Recife. Segundo ela, o idoso sempre foi muito saudável e não tinha nenhuma doença pré-existente, mas começou a ser acompanhante de um irmão, também idoso, que estava no Hospital Getúlio Vargas, no bairro do Cordeiro.

A família acredita que lá, mesmo local onde trabalhavam duas técnicas de enfermagem que morreram de Covid-19, ocorreu a contaminação, já que, segundo Valéria, o idoso não utilizou máscaras de proteção, como recomendado pela filha.

“Eu desconfiei que ele estava com coronavírus porque, duas semanas atrás, ele acompanhou um irmão dele internado. Idoso não pode tomar conta de outro idoso. Meu pai era muito saudável, não tinha nenhuma comorbidade. Ele teve dor no corpo, gripe e tosse. Tirei minha mãe do quarto e dei máscaras para ele, que ficou isolado. Três dias depois, ele começou com dispneia [dificuldade para respirar]”, afirmou a técnica em enfermagem.

O quadro clínico do pai de Valéria foi se agravando com o passar dos dias e, no sábado (18), ele não resistiu. “Minha mãe falou que ele piorou do cansaço, eu cheguei lá, vi a situação dele e dei entrada na Policlínica de Afogados. Ele deu entrada já em parada cardiorrespiratória. A equipe tirou ele dos meus braços e começou os procedimentos. Dali mesmo ele já foi lacrado”, afirmou a profissional de saúde.

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Redação NES
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