Moradores realizam “O Nordeste pede paz papo de melhoria” no Largo do Areal no Nordeste de Amaralina

“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele” - Martin Luther King

Um ato pela paz, contra a violência policial e pelo fim do extermínio da juventude negra do bairro. Essas foram a bandeiras da ação realizada na tarde desta segunda-feira (31), no Largo do Areal, no Nordeste de Amaralina. Estiveram presentes diversos representantes da sociedade civil, além de moradores da região. Apresentações artísticas expressaram o caráter pacífico do ato.

O advogado e pré-candidato a vereador de Salvador, Rodrigo Coelho destacou a importância do evento. Segundo Coelho, iniciativas como fortalecem a comunidade para buscar junto aos órgãos públicos melhorias para a região.

“É importante que a comunidade esteja unida para que a gente possa buscar melhorias no sentido de dar um futuro para os nossos jovens e uma melhor qualidade de vida para a nossa população. Eu costumo dizer que quando o poder público falha, a polícia que chega. Precisamos de uma educação de qualidade, uma saúde pública melhor e qualificação profissional. Não se trata de um evento desse ou daquele partido, mas sim em defesa da comunidade.

Presente à manifestação, a Presidenta da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB da Bahia, Dandara Pinho destacou a necessidade em se desvencilhar a importância do o combate a violência e a guerra ao tráfico de drogas à violência da população negra do Nordeste de Amaralina.


“É importante que a gente diga que nesse momento de pandemia as incursões elas estão proibidas no estado do Rio de Janeiro e também deveriam estar proibidas aqui na Bahia. Contudo, elas não estão. E é por isso, que desde que a pandemia e o estado de isolamento social começaram aumentou também o índice de violência e homicídios de jovens negros e negras, sobretudo aqui nessa localidade. É absurdo e surreal que tantos jovens negros e negras estejam morrendo e que não haja uma reflexão de melhoramento e de modificação do estado policial nessa localidade”, ressaltou Dandara.

“Esse aqui é um momento de resposta de que a comunidade já não suporta mais a quantidade de violência policial que está acontecendo aqui. A resposta está vindo de forma pacifica e ecumênica”, finalizou.

Para a filosofa e moradora da Santa Cruz, Luciene Reis, o principal entrave é a falta de dialogo entre o poder público e a comunidade.

“Me sinto atingida no momento em que eu vejo a nossa voz não ser ouvida. Nós não temos um amparo como deveríamos ter por parte do governo. A segurança pública aqui no bairro se tornou uma ameaça. Não que a gente queira que a segurança publica deixe de existir, de jeito nenhum. Queremos apenas sermos tratados como pessoas”, explica Luciene, que foi um das organizadoras do ato.

“Aqui no Nordeste a marginalidade não chega a 1%. Aí eu pergunto: e os outros 99% ficam aonde? Por que é que os 99% têm que ser tratados como marginais? Por que que as abordagens policiais são tão truculentas. Semana passada um jovem nosso saiu do treino como sanduíche na mão e foi abordado. Abriram o sanduíche dele e ficaram perguntando onde estavam os marginais…Sendo que ele é um estudante de Nutrição…”, completou.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU