Moradora do Vale das Pedrinhas revela drama após testar positivo para o Covid-19: “Nem os remédios para dormir me faziam fechar os olhos”

O drama da técnica de enfermagem Fabiana Souza Lima, 22 anos, moradora do Vale das Pedrinhas, é parecido com os quase 700 profissionais de saúde do estado contaminados pela novo coronavírus. A jovem fez o teste para o covid-19, no dia 19 de abril, após diversos funcionários da instituição de saúde onde trabalha term o diagnóstico confirmado. O resultado viria no dia seguinte, com o triste veredicto: Fabiana havia sido contaminada.

“Descobri através do exame de Swab de Naso e Orofaringe , onde todos foi profissionais da minha unidade também foram submetidos. No início foi um baque porque mesmo suscetíveis a gente nunca espera, senti medo. Sou casada e meu marido graças a Deus não apresentou a covid. Desde o início mantínhamos pouco contato já que eu trabalho em uma unidade de saúde, e quando testei positivo fiquei totalmente isolada dele sendo o único meio de contato por chamadas de vídeo. Me senti aliviada por ter cumprido a quarentena e ter prevenido a minha mãe, a minha avó e todos aqueles que amo por não ter me reunido com ninguém”, conta Fabiana.

“Inicialmente comecei a apresentar os sintomas no dia 22/04 onde precisei ser atendida por uma instituição de saúde, com febre de 39.0, muita dor de cabeça e no corpo, perdi o olfato e paladar, sentia muito calafrios e os olhos ardiam muito. Do segundo dia em diante esses sintomas mantiveram e surgiram a garganta inflamada, tosse seca e falta de ar. Durante esses 14 dias permaneci dentro do quarto isolada, sem nenhum tipo de contato se não via Whats App”, relata.

O medo e apreensão aumentaram quando dois dias depois de receber o resultado, Fabiana perdeu um colega de trabalho, também técnico de enfermagem, vítima dessa mesma doença: “O pânico era muito grande, e como enfrento também a depressão ter testado positivo depois de vê um colega tão próximo morrer dessa forma foi pior ainda. Nem os remédios para dormir me faziam fechar os olhos. Em pensar em morrer solitária, sem ninguém ao meu lado, em não poder me despedir…”, conta.

“Infelizmente é uma consequência drástica que nós como profissionais da saúde estamos suscetíveis por sermos linha de frente. Em muitos casos os profissionais não tem os devidos equipamentos de proteção adequado e acabam expondo suas vidas pra combater os danos desse vírus, ou não recebem os devidos treinamento para isso”, completa.

Mesmo após a alta, a jovem diz não sentir ainda “totalmente bem”, embora já tenha sido liberada do isolamento pela médica após passado os 14 dias de reclusão total: “Passei por uma avaliação médica após o isolamento, que me liberou para as minhas atividades normais mas ainda assim mantendo todas as precauções do uso de máscaras e álcool em gel”, explica.

Para aqueles que ainda estão descrentes quanto à gravidade da situação, Fabiana deixa o recado: ” O pedido que eu faço é que as pessoas respeitem a quarentena e só saiam se realmente for extremamente preciso e ainda assim tomando todas as precauções recomendadas. Estamos lutando contra um adversário invisível e não devemos esperar perder alguém que amamos para daí entender a gravidade disso. Vai ser bem mais feliz comemorar depois que TUDO isso passar sem ter perdido ninguém para o covid-19″.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU