Moradora do Nordeste, vítima de violência doméstica, desabafa: “Já cheguei a esconder marcas de estrangulamento e várias outras que ele me causava”

Desde o ínicio da quarentena, para alguns, o lar não é sinônimo de segurança. Os índices de violência doméstica e feminicídio têm crescido e muitas dessas vítimas, em sua maioria mulheres, encontram-se confinadas em casa com seus agressores.

O maior problema tem ínicio quando percebemos que a maior dificuldade da maioria das vítimas é justamente perceber que se encontram em relacionamentos abusivos, já que a violência psicológica na maioria das vezes, consegue ser maior e mais presente que a violência física.

Uma moradora, que preferiu não se identificar, contou com exclusividade ao NES como foi o seu processo de cura após se dar conta de que estava sendo vítima de um relacionamento abusivo, e como através disso, pretende ajudar outras mulheres a perceberam que encontram-se em tal situação.

Veja o relato:

” Bom. Conheci a pessoa normal, nos aproximamos e começamos a nos relacionar… No início alguns sinais foram dados, mas todos ignorados por mim. Ele começou a controlar exatamente tudo em mim, até a forma como eu ria. Inacreditável, né?! Comecei a controlar a forma como eu iria rir, falar, me vestir… e então passei a ser outra pessoa, todo mundo percebia o quanto eu havia mudado, menos eu… Sempre fui alegre, risonha, rodeada de pessoas e quando percebi só éramos eu e ele. Fui levando esse relacionamento e tentando me encaixar na pessoa que ele tanto me obrigava a ser. Uma pessoa apagada, calada, que rir pouco e de poucos amigos. As coisas começaram a se agravar quando ele percebeu que tinha bastante controle sobre mim e então passou a me agredir fisicamente, me batia por quase tudo, e eu não conseguia reagir e muito menos tinha força pra sair daquilo.

Já cheguei a esconder marcas de estrangulamento e várias outras que ele me causava. Um dia qualquer passei a sentir nojo dele, era um misto de sentimentos, mas a dependência emocional fazia com que eu não conseguisse terminar de maneira alguma, afinal ele havia colocado na minha cabeça que nenhum homem iria gostar de mim, apenas ele. Só ele me aturaria, porquê eu era chata, carente e vários outros defeitos que ele sempre falava.

Um dia estava no Facebook e vi uma postagem em um grupo de mulheres de uma moça relatando os abusos de um namorado. Ela contava coisas absurdas que sofria e eu me dei conta que aquela história parecia muito com a minha. Li os comentários da postagem e as outras moças falavam que ela estava em um relacionamento abusivo. Foi a primeira vez que eu havia ouvido falar sobre isso, pesquisei no Google e YouTube e lá tinham vários conteúdos sobre esse assunto. Me vi em todos os relatos, cada um tinha muito do que eu vivia e só aí parece que fui tirando uma venda dos meus olhos e percebendo a gravidade do que estava passando, ate mesmo porquê muitos dos relatos eram de parentes de vítimas de feminicidio. Eu estava correndo risco de vida! Me apavorei e comecei a entrar em grupos de ajuda, a contar a amigos sobre tudo e assim fui ganhando forças, fui voltando a tomar o controle da minha vida e consegui terminar. Foi fácil? Não. Ele não aceitava o término de maneira alguma, afinal eu estava do jeito que ele queria. Ele me tornou em uma pessoa feita pra ele, apenas pra ele… Iniciei o contato e nunca mais voltei atrás da minha decisão.

Eu escolhi viver, escolhi recuperar minha essência, meu eu novamente e já fazem 4 anos que não sei nada sobre ele.

Meu conselho pra você é: Escolha viver, escolha ser dona da sua vida, ninguém tem o direito de ter o controle sobre a vida de ninguém, de te colocar pra baixo, minar sua auto estima, violência psicológica machuca tanto quanto a física, mesmo que ele nunca tenha te tocado, mas ele te faz chantagens emocionais, você está em um relacionamento abusivo. Você consegue, moça!!

Um abraço! ”

A Defensoria Pública segue trabalhando no cambate a violência doméstica. Em caso de violência, ligue: 71 3328-1195 (1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher) ou 71 3117-9179 (Núcleo Especializado da Mulher)

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Lais Lopes
Estudante de Jornalismo, ativista de todas as causas, amante da literatura, escritora e poetisa, cristã, lutando como uma garota e sempre em busca do conhecimento!