Estilo chavoso: tendência de corte de cabelo é sucesso entre os jovens do Complexo Nordeste de Amaralina

Diante da variedade de grupos e estilos encontrados nas favelas, uma tendência antiga volta a fazer sucesso: os cortes de cabelo com formatos geométricos, degradê e figuras realistas, popularmente conhecidos como “chavosos”. Impulsionado por artistas do funk paulista, o estilo fez sucesso nas periferias de São Paulo, em 2014, e alcançou várias regiões do país.

De acordo com Junior Gama, morador do Nordeste de Amaralina, em Salvador, e barbeiro há 18 anos, os modelos degradê e navalhado são os mais solicitados por seus clientes. Segundo ele, algumas pessoas deixaram de utilizar os cortes chavosos por serem discriminados. “Agora, nessa nova etapa, cortes mais modernos de cabelo, as pessoas começaram a fazer novamente desenhos mais modernos e elaborados, mas a galera ainda discrimina muito”, explica.

Reprodução/Instagram

Para Carlos Danilo Anjos, de 19 anos, morador do Vale das Pedrinhas, também em Salvador, a tendência ainda é mal interpretada por algumas pessoas. “Consideram um estilo radical ou sempre comparam com algo ruim, tipo um bandido”, conta. O jovem explica que sempre gostou dos estilos diferenciados e que a sua inspiração tem influência da cultura afro. “O corte de cabelo é algo que aumenta muito a nossa autoestima e vejo esses como uma cultura enraizada nas favelas”, destaca.

Apesar de ser um visual popular entre os homens, as mulheres também decidiram seguir a tendência. Jéssica Bispo, de 17 anos, é uma delas. Moradora da Santa Cruz, em Salvador, a jovem afirma que a inspiração para o corte veio através das redes sociais. “Vi que era estiloso e diferente”, relata. Após adotar o estilo, Jéssica conta como conseguiu lidar com as críticas que recebeu. “Eu falo que as mulheres não deixam de ser mulheres só porque elas resolveram cortar curtinho ou ficar careca”, diz.

Reprodução/Instagram
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Gabriela Araújo
Estudante de jornalismo e criadora de conteúdo digital. Acredita na ressignificação das coisas como ponto de partida para a evolução coletiva e pessoal.