Entidades de saúde pedem afastamento de Bolsonaro: ‘Maior problema do Brasil’

Presidenta do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), a sanitarista Lúcia Souto, alerta que o país ‘caminha para uma catástrofe

(Foto: Evaristo Sá/Arquivo AFP)

São Paulo – Entidades de saúde publicaram nota, nesta terça-feira (21), contra a política classificada como “genocida e antidemocrática” do presidente Jair Bolsonaro e pedem seu afastamento do cargo. No texto, especialistas alertam que o presidente coloca a população em risco ao produzir “o caos em meio a uma grave crise sanitária”.

A presidenta do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e médica sanitarista Lúcia Souto alerta que o país ‘caminha para uma catástrofe’. “Temos uma pessoa complemente inepta para exercer o cargo de presidente da República, que está criando tumulto e caos na sociedade brasileira, quando deveria unir a população”, criticou, em entrevista a Marilu Cabañas e Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual desta quarta-feira (22).

As entidades acrescentam que a participação do presidente em uma manifestação que pedia intervenção militar, no último domingo (19), ultrapassa todos os limites e exige a unidade de todos que defendem a democracia e a vida. A nota ainda argumenta que só por meio do afastamento urgente de Bolsonaro, o Brasil poderá enfrentar a pandemia adotando as medidas necessárias recomendas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Supremo Tribunal Federal recebeu, na última segunda-feira (20), mandado de segurança com pedido de concessão de liminar para suspender provisoriamente o exercício de algumas das competências privativas do presidente da República em função do cometimento reiterado de crimes de responsabilidade por parte de Bolsonaro.

Transparência

O número de mortes notificadas em decorrência da covid-19 chegou Brasil a 2.741 nesta terça-feira. Já são, oficialmente, 43.079 casos de contaminação por coronavírus, segundo balanço divulgado neste feriado pelo Ministério da Saúde.

Em um dia, houve 166 novos óbitos por causa da pandemia, e registros de 2.498 novos casos. A taxa de letalidade é de 6,4%.

A sanitarista critica a falta de comunicação do governo federal em relação à pandemia, em especial após a troca do Ministério da Saúde. “A pasta tomou um caminho preocupante de pouca transparência com a sociedade, sem as coletivas da equipe do ministério. Isso é muito grave.”

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, realizará a primeira coletiva apenas hoje, quase uma semana depois de assumir a pasta. Até agora, ele fez apenas dois pronunciamentos: um no dia em que foi anunciado como sucessor do então ministro Luiz Henrique Mandetta e outro quando foi empossado. Nas duas ocasiões não houve perguntas de jornalistas.

A especialista afirma que essa falta de transparência pode criar uma sensação falsa de que as coisas estão sob controle. “As pessoas sentem que o número (de casos) está aumentando, mas a ausência de comunicação do governo com a população é inaceitável. Temos o direito de receber as informações. Tem outro problema no caso do SUS, onde temos uma obrigatoriedade constitucional da participação social no comando desta crise, por meio do Conselho Nacional de Saúde, e isso não está acontecendo”, acrescentou Lúcia.

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Redação NES
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