“Talvez não faça sentido voltar a educação infantil esse ano”, diz ACM Neto

Fotos: Valter Pontes/Secom

Correio*

O prefeito ACM Neto afirmou nesta segunda-feira (10) que sua equipe já trabalha nos protocolos para retorno da educação, mas nada será apresentado nos próximos 15 dias, período em que será analisado o início da fase 2, com abertura de bares e restaurantes, que começa hoje. Segundo o prefeito, “talvez faça sentido não voltar a educação infantil esse ano”.

“A ativação da terceira fase, assim como a decisão sobre funcionamento das escolas e reabertura das praias, vai acontecer a partir de agora, analisando o impacto dessa segunda fase, observando como vão se comportar, de um lado, os estabelecimentos que estão voltando e de outro , claro, da população, cada cidadão”, disse Neto, durante evento para apresentação de 55 novos respiradores que chegaram a Salvador.

Neto diz que os protocolos já estão sendo avaliados, mas ainda não há nenhuma previsão de retorno. Já a fase 3 poderá começar em 15 dias, se no período mantiver a taxa de ocupação de leitos de UTI para covid-19 igual ou inferior a 60% por pelo menos cinco dias – atualmente está em 55%. “(A fase 3) Já tem sua regra definida, diferente de escolas e praias, que a gente só vai tratar dessa perspectiva depois de 15 dias”, acrescentou.

O prefeito destacou que a decisão final de mandar ou não o filho para a escola nesse momento de pandemia será dos pais, mas não se as escolas vão reabrir. Ele antecipou que provavelmente haverá um revezamento nas turmas, mantendo em um primeiro momento um misto de aulas presenciais e on-line.

“Já avançamos bastante no desenho do protocolo para educação. Quando voltar, não vai voltar tudo de uma vez”, diz. “Não poderemos ter sala de aula ocupadas como estavam antes da pandemia. Vamos pensar numa sala com 40 alunos. Não será jamais isso, porque você terá que ter distanciamento. Muito provavelmente você vai ter alternância de dias. Num primeiro momento será impossível imaginar que essa retomada vai se dar de maneira plena do ponto de vista presencial”, afirmou.

Outro ponto destacado por Neto foi que alunos de idades e em fases diferentes do sistema educacional não devem ser olhados de maneira igual. Por isso, talvez as aulas da educação infantil não voltem mais este ano. “Você ter um protocolo seguro para um ambiente de crianças de 4 anos de idade é muito mais difícil do que de jovens de 16, 17 anos. As crianças ainda não têm maturidade para, por exemplo, manter distanciamento, assegurar a higienização. Quando voltar, vai ser natural que esse critério da idade dos alunos seja levado em consideração”, explicou o prefeito.

Neto disse que a análise vai levar em conta principalmente um “ambiente de segurança para os alunos”, pois mesmo não sendo de grupo de risco as crianças e jovens funcionam como vetor da doença.

“Não quero ficar marcando data e depois ficar postergando. Não vamos tratar de detalhe da educação antes de daqui a 15 dias. Mas, talvez, no caso da educação infantil faz sentido que as aulas não voltem esse ano. Talvez não faça sentido não voltar para ensino universitário, Ensino Médio. Nâo dá para querer tratar a educação de uma maneira uniforme”, continuou.

O prefeito ainda fez um apelo para que os gestores das cidades da Região Metropolitana de Salvador (RMS) façam uma reabertura coordenada. “Não cogitem tomar nenhuma decisão de abertura, de retomada das aulas, descasada da prefeitura e do governo. Porque os leitos de UTI estão aqui; são esses respiradores que os pacientes da RMS vão ter que usar, caso fiquem doentes e se agravem”, disse, pedindo o “bom senso” de cada prefeito.

Praias
Outra atividade que não faz parte do faseamento é a reabertura das praias de Salvador, o que Neto chamou de “um baita desafio”. “Gostaria muito de poder liberar a prática das atividades esportivas nas praias, que é uma reivindicação de muitos. O problema é como você controla ao mesmo tempo lojas, shoppings, centros comerciais, bares, restaurantes, lanchonetes, salão de beleza, academia, tudo que está funcionando em Salvador, e ainda ter controle sobre toda extensão de praia que temos na capital. São dezenas de quilômetros de extensão. Se contar com as ilhas, 64 km. É impossível”, avaliou.

Ele afirmou que as praias serão reabertas para tudo, não apenas atividades físicas. “Na hora de abrir, tem que abrir com segurança e com a consciência que vai abrir para todos. Ninguém pode assegurar que não vai acontecer (aglomeração). Eu também me sinto privado, gostaria de tomar banho de mar, tô com saudade, mas aí não tem jeito. São as privações que estamos tendo que viver por uma causa maior”, continuou. 

Novamente, Neto disse que a prioridade foi dada para atividades que têm maior impacto econômico na vida dos soteropolitanos. “Claro que entre primeiro voltar uma atividade econômica que está tirando dinheiro do bolso das famílias e voltar praias, vai voltar atividade econômica. Na hora que estiver tudo tranquilo, tudo seguro, a gente volta as praias”.

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Redação NES
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