Coordenador do Conen se manifesta sobre ataque a terreiros de candomblé em Cachoeira: “Queremos a garantia total dos direitos desse templo”

O caso de invasão e agressão ao tradicional terreiro Ilê Axé Icimimó Agunjí Didê, situado no município de Cachoeira, no Recôncavo baiano, foi alvo de repúdio da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen). Na última terça-feira (9), invasores dispararam tiros para o alto, cortaram as cercas que delimitam o terreno do terreiro de candomblé e destruíram objetos sagrados. Para o coordenador nacional da entidade, Gilberto Leal, trata-se de mais uma situação de violência tendo como vítima o povo de matriz africana.  

“Gostaríamos de registrar o repúdio da Conen, além de nos inserir nessa luta e, prol desse templo religioso que foi violado e teve seu espaço religioso invadido por uma série de bandidos.  Nossa determinação é de que seja garantida a liberdade de culto bem como o direito daquele espaço religioso onde várias gerações já professaram a sua fé há mais de um século.  Nós queremos que seja averiguado quem foram os executores dessas agressões bem como os seus mandantes. A nossa solidariedade ao babalorixá Pai Duda e dizer que estamos extremante ofendidos, nós que entendemos a importância da defesa do processo desses templos religiosos”, disse Gilberto.

“Não é a primeira vez que esse templo sofre com esse tipo de agressão. Pelas denúncias de Pai Duda essa já é a quarta vez. Existe, portanto, uma reincidência desse fato. Queremos aqui manifestar o nosso inteiro apoio e repúdio a esses que se ousaram a violar esse espaço religioso e destruir a simbologias de importância singular. Não vamos abrir mão de continuar monitorando. Queremos a garantia total dos direitos desse templo de poder ter a sua vida religiosa normalizada sem agressões dessa natureza. Estamos à disposição para somar esforços e nos irmanamos nessa luta”, acrescentou Leal.

Com mais de 100 anos de existência, o terreiro Ilê Axé Icimimó Agunjí Didê foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, desde 2014, pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). O local também é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU