Comitê diz que medidas nos bairros não bloqueiam contágio e recomenda lockdown em Salvador

Avaliação é do neurocientista Miguel Nicolelis, um dos coordenadores do grupo de trabalho científico do Consórcio Nordeste

O neurocientista Miguel Nicolelis, um dos coordenadores do comitê científico do Consórcio Nordeste, afirmou que aos bloqueios regionalizados adotados pela gestão ACM Neto (DEM) não conseguiram bloquear o avanço de casos de coronavírus em Salvador.

“O problema de Salvador é que o número de leitos flutua rapidamente. Houve uma tentativa de fazer lockdown de bairros, mas não conseguiu bloquear”, diz Miguel Nicolelis, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

A reportagem destaca que o comitê teme que as capitais brasileiras sofram uma avalanche de casos de pacientes com Covid-19 vindos do interior dos estados.

O receio, diz a publicação, é que o aumento no número de infectados superlote as unidades de saúde dos grandes centros urbanos.

De acordo com a Folha, o alerta consta no nono boletim do comitê, que ainda não foi publicado e está sujeito a alterações. O documento indica uma possível nova sobrecarga no sistema hospitalar da região Nordeste.

Diante desse eventual cenário, o boletim recomenda o chamado lockdown em ao menos três cidades baianas: além da capital, Feira de Santana, Teixeira de Freitas. também sugere a instituição de barreiras sanitárias, bloqueios temporários de todo tráfego não essencial, além da criação de brigadas emergenciais de saúde em todos os estados nordestinos.

“Esse efeito bumerangue já começou. Você conhece o efeito do tsunami? A água sai da praia, todos pensam que estão salvos, e, de repente, vem uma baita onda. É o mesmo efeito”, explicou Nicolelis.

A reportagem diz que o agravamento deve acontecer na medida em que os casos começam a se alastrar com maior rapidez nas pequenas cidades.

O movimento vem sendo registrado nos últimos dois meses. Em 15 de abril, havia 112 microrregiões nordestinas com menos de 50 casos confirmados. No dia 20 de junho, este número caiu para apenas seis microrregiões.

Segundo a Folha, a interiorização crescente dos casos de Covid-19 se manifesta também nos valores de um dado chamado de fator de reprodução. Ele indica o número correspondente a quantas novas pessoas alguém com o vírus é capaz de infectar. O fator 1, por exemplo, significa que cada doente contamina, em média, mais uma pessoa. Cidades do interior registram um valor muito mais alto do que as capitais.

A  cada 10 pacientes, quatro vieram de outras cidades

Ainda de acordo com a Folha de S. Paulo, Salvador passa pelo momento mais crítico até agora durante a pandemia, com uma ocupação de 84% dos leitos para pacientes graves e também é pressionada pelo interior.

Na quarta-feira (1º), quatro em cada dez pacientes de Covid-19 nas redes estadual e municipal da capital baiana vieram de outras cidades do estado.

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Redação NES
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