Por Iure Alcântara dos Santos Barros.*

A educação engloba os processos de ensino e aprendizagem, nos últimos anos no Brasil a mesma vem sendo desvalorizada em diversas maneiras, seja através dos profissionais da educação, sucateamento do espaço de ensino, desvalorização de determinadas disciplinas, falta de investimentos financeiros, são diversas os ataques ao sistema educacional brasileiro, que ousadamente afirmo é intencional, a educação não importa, pois faz pensar.

Com a pandemia do Covid-19 a educação brasileira esteve em debate nos mais diversos setores da sociedade, tanto em nível comportamental que passou a ser evidenciado nos diversos jornais do país, quanto à suspensão das aulas que trouxeram os alunos para dentro de casa. O desencadeamento desse fato histórico mesmo que minimamente vem conduzindo a sociedade a seguinte reflexão, a educação importa? Governantes pensaram diversas estratégias para manter o isolamento social e das maneiras mais inacreditáveis houve quem desobedecesse mesmo diante de uma força policial, ainda tinham pessoas que insistiam em não dar importância ao isolamento, isso custou e vem custando um preço alto, ao mesmo que evidencia a importância de se investir em educação, pois a consciência social ela não é adquirida pela força e sim pela sensibilização gerada no processo de ensino e aprendizagem.

Outro ponto importante a destacar foi o retorno de um debate muito antigo no Brasil, sobre a importância da valorização do professor. Discutia-se que brevemente os mesmos seriam substituídos pela tecnologia, ultrapassados, qualquer uma poderia ministrar aulas, notório saber, o trabalho docente é fácil, nesta pandemia a sociedade pode perceber a importância da mediação docente e que dificilmente algo irá conseguir substituir essa mediação, o que deve ser feito é dialogar com as diversas tecnologias e estratégias que o momento vem nos propondo, afirmo isso não somente pelo debate que muitas famílias estão reclamando, pois não estão conseguindo lhe dar com os seus filhos mediante as demandas diárias escolares, mas sim por reconhecerem que o exercício docente exige estudo, pesquisa, preparação, embora encarem a escola como uma civilização onde todas se enquadrem dentro de um mesmo modelo, elas tem culturas próprias, ou seja, demandas diferentes, que é o caso da rede publica e privada.

Muitos disseram precisou de uma pandemia para apresentar a desigualdade entre o ensino público e privado, não vejo dessa maneira, sempre esteve em evidência, à diferença é que escancaram aos nossos olhos, agora paramos para assistir que o Joãozinho não tem internet, a fome é um problema, a tecnologia não está acessível a todos, ficou em destaque o descaso com o ensino público, que o conceito de ‘educação bancária’ de Paulo Freire continua real, enquanto os estudantes da rede particular de todo Brasil prossegue com suas aulas em meios remotos mesmo com todas as dificuldades, existe outra maioria da sociedade que continuam com seus estudos parados, não são pensadas estratégias de pensar um sistema educacional justo, vamos convir quer até o Governo Federal evidenciou o elitismo educacional no Brasil, quando relutou o adiamento do Enem, apresentando soluções inacessíveis, meritocráticas e desiguais, a diferença de como é organizada a educação no Brasil, revela a desigualdade que nela é projetada.

Por tanto os fatos históricos modificam a sociedade, pós pandemia não seremos mais os mesmos, não quero dizer que nossos governantes, a sociedade irá valorizar a educação, mas ao menos irá refletir o que dizia Freire, ‘’ a educação sozinha não transforma a sociedade, tão pouco sem ela a sociedade muda’’, terá que rever métodos de ensino, pois mesmo com a tentativa da regularidade os cuidados deverão ser tomados, como dar conta disso?  Os profissionais terão que dominar as ferramentas tecnológicas que auxiliam no processo de ensino, os alunos, pais precisarão ser treinados para o aproveitamento dessas ferramentas, ou seja, esse momento vem mostrando a importância da educação para um progresso no país, mesmo que não haja uma mudança por parte governamental ao menos a sociedade agora terá provas da sua importância para própria transformação social.

*Iure Alcântara é formado em Licenciatura em História- Universidade Federal da Bahia. Pós- Graduado em Metodologia do Ensino de História- Uninter.

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Redação NES
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