VI Caminhada do Povo de Santo do Nordeste de Amaralina

“VI Caminhada do Povo de Santo do Nordeste de Amaralina – Um Povo de resistência contra a intolerância religiosa”

Foto Reprodução NORDESTeuSOU

A origem do bairro do Nordeste de Amaralina está diretamente ligada à comunidade de pescadores de Amaralina. Povo humilde, em sua maioria negros, gente que tirava do mar o seu sustento. Com o antigo arrabalde loteado pelos grandes proprietários, restou aos pescadores se abrigarem nas partes mais altas do bairro. Posteriormente, com o aumento da população, a comunidade foi se estendendo e formando novas invasões originando o que posteriormente seriam o Vale das Pedrinhas, Chapada e Santa Cruz. Lá instalados, os novos ocupantes da área ali abrigados encontrou no lugar um excelente ponto para bater o seu candomblé e jogar sua capoeira dentre outros costumes trazidos pelos africanos e aqui “celebrados” pelo povo negro.                            

O Nordeste de Amaralina é considerado um dos principais berços da cultura baiana. O Nordeste do samba junino. O Nordeste de mestre Bimba e da sua capoeira regional. O Nordeste dos compositores e do ritmo contagiante dos tambores. O Nordeste do povo de santo e da resistência, que ao custo de muita luta, mantém viva a cultura milenar e as tradições das religiões de matriz africana. A herança cultural do povo negro é vista em suas ruas e no seu povo: seja na rodas de samba e capoeira, nos candomblés ou no simples gingado do menino que se aventura no campo de barro do Areal ou da menina que requebra ao som do tambor.

Um levantamento da Universidade Federal da Bahia em 1974 apontava a presença de 38 casas de candomblé na região. Entretanto, esse número vem diminuindo drasticamente pondo em risco a preservação das tradições e a religiosidade do povo de santo. No século passado a intolerância e perseguição aos adeptos das religiões de matriz africana era institucionalizada, sobretudo, pelo poder público. Os rituais de candomblé eram classificados como “prática de feitiçaria e falsa medicina”. Nessa época era comum pais e mães-de-santo terem suas casas invadidas pela polícia. Terreiros eram violados e saqueados, sacerdotes presos e torturados, objetos de culto apreendidos e destruídos.

Entretanto, as garantias estabelecidas pela Lei de liberdade de culto escrita na Carta Magna em 1946, de autoria do então deputado Jorge Amado, e anexada ao Art 5º da constituição da republica de 1988, não foram suficientes para acabar de forma definitiva com a intolerância e suas diversas formas de agressão. A grande escalada das igrejas evangélicas e neopentecostais, nos meados dos anos 70, criaram uma forma de preconceito e perseguição ainda mais cruel e implacável. De acordo com dados da Secretaria dos Direitos Humanos, ligada ao Ministério da Justiça, as denúncias de intolerância religiosa aumentam a cada ano. O caso de Mãe Gilda é emblemático.  A yalorixá Gildásia dos Santos adoeceu e morreu após sofrer uma impiedosa perseguição por membros da Igreja Universal (Cite sua fonte, para evitar processo). O dia de sua morte, 21 janeiro, foi instituído como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Foi com o propósito de combater a intolerância e desmistificar as armadilhas impostas pelo preconceito, além de mostrar a cultura que é o candomblé, que vai muito além de uma religião, que surgiu em 2012 a Caminhada do Povo de Santo do Nordeste de Amaralina. Em sua sexta edição a caminhada tem a questão da intolerância religiosa como tema principal.

“VI Caminhada do Povo de Santo do Nordeste de Amaralina – Um Povo de resistência contra a intolerância religiosa”, diz a chamada do evento. Vista seu branco, enrole seu turbante, encha o seu espirito de paz e venha marchar contra a intolerância religiosa. Assim seja! Salve Olorum!

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU