Ufba transforma óleo de cozinha usado em combustível

Reciclagem do material dá origem ainda à glicerina, matéria-prima para sabão e sabonetes, veja onde descartar

((foto: Pedro Ribas / Fotos Públicas))

As sobras do óleo de cozinha que a costureira Sheila Alves Lopes, 61 anos, costuma destinar ao ralo da pia da casa onde mora, no bairro Boca do Rio, poderiam ser coletadas, recicladas e originar novos produtos, como detergente, sabão e até mesmo biodiesel – uma fonte de energia limpa e barata em comparação aos combustíveis fósseis. “Vi na TV que é possível descartar, mas nunca soube de um lugar em Salvador que recolhesse esse tipo de material”, justifica.

Uma vez descartado no meio ambiente, o óleo de cozinha libera substâncias que podem contaminar a água e o solo. Por essa razão, o ideal é colocá-lo em uma garrafa plástica ou de vidro e procurar um ponto de entrega. Uma pessoa chega a consumir dois litros de óleo por ano no mundo. Cada litro desse material despejado na rede de esgoto pode afetar aproximadamente um milhão de litros de água, segundo o professor e coordenador de doutorado em energia e ambiente, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ednildo Andrade Torres.

Na Ufba, Torres coordena um projeto chamado “Biodiesel”, que transforma o óleo de cozinha usado nessa fonte energética menos nociva. “Transformamos o que era um problema, em solução”, destaca o especialista. Utilizado em veículos de grande porte (como caminhões e ônibus), o diesel convencional prejudica de forma significativa o meio ambiente por ser poluente. Além disso, sofre constantes reajustes de parte do governo, uma das principais razões da greve dos caminhoneiros.

O processo que transforma o óleo de cozinha em combustível leva de seis a oito horas e passa por diversas etapas. Funciona assim: primeiramente, o óleo é filtrado, para não ter impurezas; depois é passado pelo reator, onde é feita a mistura com “alcoolato” (álcool mais catalizador), e por último, o material vai para o decantador, onde é separado o biodiesel da glicerina – subproduto que é usado na produção de sabão, sabonete e detergente.

Recolhimento

O óleo de cozinha utilizado no processo é recolhido pela Universidade em mais de 20 empresas parceiras, além de pessoas físicas que levam pessoalmente o produto para a sede do projeto, na Unidade Politécnica da UFBA, que fica no bairro Federação. Há cerca de dois anos, a instituição também instalou pontos de coleta na Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (campus de Ondina); nas proximidades da Reitoria (campus do Canela); no Restaurante Universitário (Praça das Artes, em Ondina); no campus de São Lázaro; na região da Escola de Administração e Faculdade de Educação (Vale do Canela); e entre o Instituto de Ciências da Saúde e o anexo da Faculdade de Medicina (Vale do Canela).

Em Salvador também é possível descartar o óleo de cozinha nas cooperativas Canore (Santa Cruz); Pracatum (Candeal); Coopcicla (Matatu); e Camapet (Baixa do Fiscal).

Já em Lauro de Freitas, na região Metropolitana, a empresa Biotank (Estrada do Coco) tanto recebe esse tipo de material como também providencia o recolhimento.

A fabricação caseira de sabão ou sabonete é outra alternativa de destino para o óleo de cozinha usado. Para se chegar a esse resultado é necessário misturar o resto do óleo (que deve ser filtrado na peneira ou no pano para que não contenha restos de resíduos) com soda cáustica (líquida ou sólida) e levar ao fogo (fogão caseiro). Posteriormente é só mexer até que ele fique homogêneo. O tempo de cozimento vai depender da quantidade de óleo.

Condomínios

E que tal trocar o óleo vegetal utilizado por descontos na conta de luz? Essa possibilidade passou a ser concreta a partir de outubro do ano passado, quando a Coelba incluiu esse tipo de material no projeto Vale Luz, que troca materiais recicláveis por redução na tarifa de eletricidade. A iniciativa recebe, além dos óleos de soja, girassol, canola, gergelim, amendoim, milho, coco, algodão, mamona, os azeites de oliva e dendê.

Para integrar a ação da concessionária, o condomínio precisa estar inscrito no projeto Vale Luz Condomínio. Basta o síndico solicitar a participação por meio do e-mail: eficiencia@neoenergia.com. Em seguida ele receberá um formulário para ser preenchido e entregue através do mesmo e-mail.

A partir daí a Coelba realiza uma avaliação. Entre os requisitos solicitados, o condomínio precisa ser residencial e não ter convênio ou parceria com associações de catadores de materiais recicláveis e cooperativas.

Como descartar

Os especialistas sugerem alguns cuidados para que as pessoas descartem corretamente o óleo de cozinha usado:

1) Deixe esfriar: depois de utilizar o óleo, é necessário deixá-lo esfriar completamente;

2) Use garrafas PET: todo o armazenamento deve ser feito previamente em casa, pelos moradores, em garrafa PET transparente de refrigerante ou água, que devem estar bem limpas (sem sobras de outros produtos, como bebidas);

3) Lembre-se de coar: utilize um funil para facilitar a entrada do óleo na garrafa e um coador plástico para evitar despejar resíduos de alimento ou temperos;

4) Utilize bombona: o óleo das garrafas PET deve ser despejado pelos moradores na bombona no caso de ser recolhido pelas cooperativas.

Serviço onde descartar óleo de cozinha usado:

* Camapet – Cooperativa de Coleta Seletiva Processamento de Plástico e Proteção Ambiental – Rua Lopes Trovão, nº 117, Massaranduba. Tel.: (71) 3313-5542.

* Recicoop – Cooperativa de Serviços de Reciclagem Meio Ambiente e Promoção da Cidadania – Rua 16 de janeiro, nº 25, bairro Vista Alegre de Coutos. Tel: 98757-2035.

* Canore – Cooperativa Catadores da Nova República Avenida Nova República, nº 146, Santa Cruz, Nordeste de Amaralina. Tel.: (71) 3346-3050. Ou no Centro Comunitário Nossa Senhora da Luz, que fica na Praça Nossa Senhora da Luz, s/n, Pituba.

* Prakatum – R. Paulo Afonso, 295 – Candeal. Tel: 3276-4255.

* Biotank – Avenida Santos Dumont, KM 7, Estrada do Coco, Lauro de Freitas. Tel: 3024-3066.

Por Correio24Horas

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Redação NES
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