Karyne Alves: “Vou às ruas vender geladinho, preciso ajudar minha mãe na reforma da casa, a chuva destruiu tudo…”.

Conheça o drama vivido pela cantora Karyne Alves.

A Comunidade do Nordeste de Amaralina é provido de grandes talentos, seja na gastronomia, na arte, na moda, na dança, na literatura e na música. A cada momento essas pessoas atraem os olhares do resto do Brasil e até do mundo mostrando um pouco da nossa cultura.  O brilho se sobressai através dos muros, becos, escadarias, ruas e ladeiras, da comunidade. Um dos nichos que vem chamando atenção nos últimos tempos é a música. Atualmente, uma das vozes que vem ecoando em meio à multidão dos milhares de habitantes que vivem e transitam nos cincos bairros que forma o complexo, é a da cantora, Karyne Alves de 23 anos. Em sua voz são trazidas mensagens de resistência, amor e força de um povo lutador. Após ter sua trajetória de vida ser contada no programa da Rede Record Hora do Faro, a moradora do Vale das Pedrinhas, mas precisamente na rua do Eco, mostrou ao Brasil a luta que travou em busca da realização do sonho da sua mãe.

“Decidi parar um pouco de trabalhar com a música, pois não estava  dando dinheiro suficiente. Necessitava ajudar minha mãe. Então, resolvi ir para as ruas vender geladinho e arriscar em ganhar dinheiro que pudesse contribuir no orçamento. Todos os dias faço um trajeto do Vale das Pedrinhas até o Porto da Barra andando, para conseguir vender geladinhos. Às vezes peço uma carona aos motoristas dos coletivos, mesmo que muitas pessoas não queiram comprar, tento, confio! Passo andando em todas as praias vendendo. Estou desempregada, vivo da música, mas quero ajudar minha mãe a reformar a casa dela, quando chove molha tudo”, explica Karyne.

Karyne sempre teve uma relação forte com a música, algo que foi notado desde criança pela família, pois, ainda pequena brincava e sonhava em ser uma cantora. Os objetos de casa, tornavam-se instrumentos de show na sua imaginação. “A música me tomou quando por volta dos 11 anos de idade, tocava nos baldes e panelas da minha mãe. (Risos). Já com 12 anos entrei no Projeto Axé, que fica no Pelourinho. Fiquei até os 18 anos, depois fui para outros projetos, cantei em uma banda chamada Favela Chic, cantei na banda Didá, entre outras. Quando era mais nova tinha varias referências como: Timbalada, Daniela Mercury, Margareth, Carlinhos Brown e outros. Porém, hoje reconheço  minha força, sou a minha própria referência, percebi o quando sou maravilhosa e o quanto consigo me inspirar em mulheres guerreiras, e na qual sou, lutamos por nosso objetivo com garra. Com essa determinação e exaltação da força da mulher. Fui convidada e participei do programa Esquenta ne Rede Globo, no qual tive a oportunidade de participar de uma turnê com a maior cantora Italiana e uma das melhores da América Latina , a Fiorella Mannoia. Atualmente dou aulas a crianças de um projeto chamado Nova República que ficava localizado no Areal. Puxei um bloco no circuito Mestre Bimba, neste ano. A música me fortalece”, comenta a jovem cantora.

Segundo Karine em um dia de vendas, caminhando pelas praias da Barra, um fato mudou o rumo da sua vida: “O repórter Jorge Araújo, do programa “Se liga bocão”, estava fazendo uma reportagem que tratava sobre o forte sol do último verão. Quando eu vinha subindo as escadas para sair da praia, ele, no sentido oposto, me chamou questionando o que vendia. Ficou comovido com minha história e marcou para realizar uma gravação. Mas, antes pediu para eu cantar. Ele filmou o momento. Acabou ficando tarde, marcamos no dia seguinte em Amaralina. No dia seguinte nos encontramos, contei minha história na música. Falei dos projetos na música na qual participei. Dei uma entrevista, cantei minhas composições e ele disse que um repórter da Record de São Paulo iria me procurar. Esse repórter me procurou, foi até a casa da minha mãe fez uma reportagem. Me entrevistaram e pediram que eu contasse a minha história. E assim, sem eu saber de nada, estava simplesmente sendo observada e sorteada a participar do Hora do Faro. O que mais comoveu a eles, foi a minha imensa ligação com minha mãe.  Tudo começou em busca da realização do meu sonho, construir a casa da minha mãe, no qual o programa me proporcionou. Mas tenho vários outros que estou indo em busca, um deles é ter uma banda de mulheres e viver da música”, finaliza a cantora.

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Luis Lago
Amante da Literatura, apaixonado pelas Letras. Discente de Letras Vernáculas e Língua Inglesa, poeta, escritor , blogueiro, professor e Repórter do site NES.