‘Queremos que o PM pague por isso’, diz pai de filho morto em abordagem

Jovem de 17 anos atingido na cabeça na Lagoa do Abaeté

O caso não foi no complexo do Nordeste de Amaralina, mas é um caso que devemos ficar em alerta e não podemos deixar que isso aconteça com os nossos jovens de bem.

Um estudante de 17 anos foi morto a tiros depois de uma abordagem da Polícia Militar, em Itapuã, na noite da última quinta-feira (11). Segundo a família, o adolescente Bruno Damasceno Brito foi morto pela polícia com um tiro na cabeça. Ele tinha um quadro de deficiência neurológica e epilepsia, ainda de acordo com informações da família. 

Parentes e amigos contam que o caso aconteceu quando Bruno estava com o irmão, um jovem de 20 anos, pescando na Lagoa do Abaeté. Os dois tinham passado a tarde no local – estavam na lagoa desde as 13h – acompanhados de um primo e um amigo. 

Por volta das 16h, os quatro saíram do local onde estavam para continuar a pescar em outro ponto da lagoa. Nesse momento, o irmão mais velho percebeu que perdeu a sandália no caminho. Os jovens, em seguida, voltaram ao primeiro lugar para procurar o calçado. Foi nesse momento que houve uma abordagem policial. 

De acordo com o irmão de Bruno, os PMs já chegaram atirando. Tanto o amigo que estava com o grupo quanto elese assustaram e saíram correndo: o amigo saiu em direção aos dois. Bruno, por sua vez, correu em direção a um matagal. 

Os três foram colocados de joelhos e revistados pela polícia, que não encontrou nada. O irmão chegou a avisar aos PMs que Bruno, que não estava com o grupo, tinha deficiência neurológica e epilepsia. Instantes depois, ouviram mais um tiro, sem saber o que tinha acontecido. 

Foi quando os policiais ordenaram que os três entrassem na lagoa e seguissem até quando o nível da água estivesse nos joelhos. Segundo o jovem, os PMs mandaram, ainda, que colocassem as mãos na cabeça e não olhassem para trás. Com medo, o irmão de Bruno e os outros dois jovens só olharam para trás depois de uma hora. Os policiais já tinham ido embora. 

O jovem saiu em busca de Bruno, mas não o encontrou na lagoa. Chamou o pai e a mãe e, desesperados, deram início a uma peregrinação nos hospitais públicos. Ao chegar no Hospital Geral Menandro de Faria, em Lauro de Freitas, a família encontrou Bruno, já sem vida. O corpo do adolescente tinha sinais de espancamento e marcas de tiro.

Através da assessoria, a PM informou que a Corregedoria da corporação instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias da situação. Em nota, a PM afirmou que uma equipe da 15ª Companhia Independente de Polícia Militar (Itapuã) estava fazendo rondas na área quando teria se deparado com “três indivíduos em atividade suspeita”. 

Os três teriam tentado fugir e, segundo a polícia, um deles atirou contra os policiais. “O indivíduo foi atingido e prontamente socorrido para o Hospital Menandro de Faria, onde foi confirmado o óbito”, completa a instituição, em nota. Com Bruno, a polícia diz ter encontrado um revólver. 

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Redação NES
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