[OPINIÃO] A guerreira que há em todas nós

Em uma pesquisa feita com mulheres do Nordeste de Amaralina, todas, em algum momento, disseram que ser mulher é ser guerreira.

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Ser mulher é ser guerreira porque a sociedade faz com que não tenhamos outra opção. Em algum momento da vida iremos ter que enfrentar as barreiras que o feminino nos impõe. Jornada dupla e até tripla de trabalho, violência doméstica, assédio, LGBTfobia são batalhas diárias enfrentadas por mulheres.

Mulher não pode usar roupa curta, não pode sair só à noite, não pode passear com as amigas se for casada, não pode, não pode….  São tantos “não pode” impostos que em algum momento a guerreira que há em todas nós precisa entrar em cena.

A mulher moderna, além de cuidar dos filhos e da casa, trabalha, estuda, malha, vai ao terreiro, ao templo, ao centro. Temos múltiplas funções e papéis.

Se a mulher quer ter filhos dizem “ não vai poder fazer mais nada”, se a mulher não quer dizem “ vai ficar para a titia”. Se decidam. Melhor, elas deixem decidir!

Um homem sozinho a noite na rua tem medo do assalto, uma mulher sozinha a noite na rua tem medo do assalto, do assédio, do estupro. Esse é o nosso cotidiano, qualquer desconhecido na esquina vazia representa perigo. São muitos os casos de estupro registrados diariamente.

A mulher precisa ser guerreira para conquistar espaço na política, no trabalho e até mesmo na família. As condições impostas a nós não nos permite ser menos que isso.  Guerrear para sobreviver.

Avançamos muito, porém ainda há muito para se conquistar.

 

 

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Adriele do Carmo
Cria da santa Cruz, é poetisa, ativista social, relações públicas e produtora cultural