O carnaval do Nordeste de Amaralina é Bate-Volta, entenda;

De acordo com o novo TAC o horário estabelecido para início e término da festa é 16h e 3h, respectivamente.

O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado em audiência realizada na manhã de hoje (25), na sede do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). De acordo com o novo TAC o horário estabelecido para início e término da festa é 16h e 3h, respectivamente. Foi determinado também que o desfile dos blocos infantis não ultrapassem às 14h. Estiveram presentes ao encontro representantes das associações carnavalescas do bairro, da Polícia Militar, da Saltur, o secretário municipal de cultura e turismo Cláudio Tinoco, membros do Grupo de Trabalho do Carnaval do MP-BA e o advogado Rodrigo Coelho, responsável pela solicitação da audiência.

Divergências de opiniões, ânimos exaltados e, por fim, arestas aparadas. A comunidade acabou vencendo a queda de braço e o bate-e-volta foi mantido. À frente do caso, a promotora da infância e juventude, Márcio Rabelo anunciou as alterações no TAC e chamou à atenção sobre o compromisso de se realizar outras discussões no decorrer do ano no sentido de continuar a discussão sobre esses problemas. Márcio Rabelo, fez um breve histórico sobre os encontros realizados no intuito de abordar pendencias relacionadas ao carnaval do Nordeste. Em maio do ano passado, em reunião, a polícia militar já havia colocado em discussão a questão da mudança na trajetória dos trios e o fim do bate e volta. O argumento utilizado para a medida, de acordo com a promotora, era “melhorar a segurança pública no circuito”. Posteriormente, em audiência ocorrida em agosto do mesmo ano, o tema novamente entrou em pauta. Na ocasião, a Saltur, que foi representada pela advogada Geisa Correia, assumiu o compromisso de levar a discussão para a avaliação do presidente do órgão, Isaac Edington. “A cláusula 14a coube ao município. Foi redigida pela Saltur. O papel do MP é intermediar e preservar os direitos da infância e da juventude. Tudo que vimos no sentido de trazer benefício para a integridade da juventude foi acatado”, pontuou a promotora.

O major Amilton Teixeira defendeu veementemente a questão do “sentido único” e disse que a polícia militar não abre mão da mudança. “Acreditamos que o circuito tem que ser pautado na profissionalização. A PM colocou que o sentido único vai trazer a possibilidade de evitar uma série de ocorrências e problemas durante a festa. Somos técnicos de segurança! Essa avaliação foi feita durante o carnaval do ano passado”. O major ressaltou também que a questão da segurança pública no Nordeste de Amaralina “é grave” e que no caso do não cumprimento das orientações propostas, a PM “lava as mãos”.. Sobre alteração que limita o horário de término da festa para às 2h, o major explicou: “Não há possibilidade de mudança no horário por conta da carga horária do efetivo”.

O secretário municipal de cultura e turismo, Claúdio Tinoco afirmou que é objetivo do órgão estabelecer o diálogo e propor soluções. “Aqui tem que ser o local do consenso, embora existam posições políticas diversas. Todas as mudanças costumam gerar polêmicas”. Sobre a questão do “bate-e-volta”, Tinoco salientou: “Enquanto eram poucos blocos a coisa fluía tranquilo”. O circuito pode ser bate-e-volta desde que obedeça algumas regras. A primeira é a de que os mini trios sejam realmente adequados. A outra é que precisamos de um compromisso dos blocos quanto ao cumprimento dos horários para evitar cruzamentos entre trios. Estamos aqui para afirmar o nosso compromisso de fazer a nossa parte”.

O advogado Rodrigo Coelho, salientou que qualquer coisa que remeta à comunidade deve ser discutida com a comunidade, o que de acordo com ele, não foi feito anteriormente. Sobre o TAC, Coelho afirma: “Acho que a gente se sente contemplado. É importante que se consiga fazer um termo que atenda todos, mas que não seja uma armadilha. Não adianta fazer acordos que depois não se consiga cumprir. Precisamos amarrar tudo de uma forma que a prefeitura consiga organizar e não aconteça esses atrasos. Todos precisamos assumir o compromisso”. O advogado foi enfático sobre a ação da polícia militar no circuito Mestre Bimba: O Ministério Público tem que acompanhar as ações da PM durante o carnaval. Como é feito esse tratamento durante a festa. Como é feita a abordagem dos policiais com a população. As pessoas estão ali não somente se divertindo, mas ganhando o seu pão”.

Que prevaleça sempre o bom senso e que o carnaval do Circuito Mestre Bimba, mais uma vez, seja de muita paz e alegria.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU