Marcelo Yuka fala sobre o Nordeste de Amaralina em Bate-Papo com comunidade

“Aqui nesse bairro se faz um carnaval alternativo. Um carnaval à margem do carnaval do poder”, afirmou Marcelo Yuka

Um bate-papo aberto e franco com a comunidade. Esse foi tom do evento, organizado pela Associação Circuito Mestre Bimba, que contou com a participação do músico e ex-integrante da banda “O Rappa”, Marcelo Yuka. O encontro foi realizado na manhã de ontem (14) no colégio Carlos Santana II.

Ativista político conectado com os mais diversos assuntos, Yuka mostrou sua habitual desenvoltura para falar sobre temas como: direitos da mulher, política, movimentos sociais, racismo e até carnaval.  O carnaval do Nordeste não ficou de fora da discussão: “Aqui de alguma maneira construiu-se um circuito de carnaval independente. Aqui nesse bairro se faz um carnaval alternativo. Um carnaval à margem do carnaval do poder”. Crítico ferrenho das “cordas” utilizadas pelos blocos, Yuka lamentou a existência da mesma, também, no circuito Mestre Bimba: “A corda é usar a rua de uma forma extremamente preconceituosa. É uma parte do carnaval elitizado. Então, eu fico bobo como um estado que tem uma manifestação negra tão forte mantem uma coisa tão segregacional como a corda e o abadá. Não combina uma coisa com outra. Como o povo do guetho pode segregar o próprio povo do guetho?”.

Yuka citou duas composições de sua autoria, “Todo camburão tem um pouco de navio” e “A Carne”, para abordar a questão do preconceito racial e a repressão do estado sobre o povo negro. “ O estado só fala gritando. O estado não tem diálogo com a gente”, pontuou o músico.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU