De onde vem as balas perdidas que assustam os moradores do Horto Florestal?

A comunidade do Horto Florestal, formada quase que em sua totalidade por empresários, políticos, artistas e mais meia dúzia de representantes da alta burguesia de Salvador, sucumbe a aquilo que há muito tempo já é rotina na vida daqueles que ocupam a parte mais baixa da pirâmide social: a violência.

O que causa espanto é que, se por um lado a violência é tratada como uma epidemia dentro da sociedade, por que somente à essa altura a high society soteropolitana resolveu gritar aos quatro cantos toda a sua insatisfação em relação ao tema? Por que ou movido por que tipo de interesses setores da imprensa compram a briga daqueles que moram em uma zona de grande especulação imobiliária? No Edifício Top Hill, como frisou a matéria, existem apartamentos com preço de venda a partir de R$ 1,6 milhão….   E por último: como ficam os trabalhadores, estudantes e toda gente de bem que moram na Chapada do Rio Vermelho, Nordeste, Vale das Pedrinha e Santa Cruz que e se veem frequentemente sendo estereotipados e enquadrados de forma pejorativa na grande mídia baiana?

Nos bairros periféricos pais de família saem para trabalhar, em muitas das vezes submetidos a outros tipos de violência, que não a desse tipo citado na reportagem, mas aquela que humilha, oprime e explora. Sim, nesses locais tem gente trabalhadora! Boa parte, inclusive, labuta nas empresas, prestam serviços ou servem de alguma forma esses mesmos que agora se sentem acuados.

Jefferson Borges – Diretor Geral do NORDESTeuSOU

O publicitário e morador da Santa Cruz, Jefferson Borges está há seis anos à frente do site Nordesteusou.  O canal tem como objetivo justamente desfazer a ideia de que a comunidade do Nordeste de Amaralina e região é dominada pelo crime.  ?Lutamos para quebrar esse paradigma e tirar essa ideia que o Nordeste de Amaralina é um bairro de alta periculosidade onde só existem traficantes, marginais e ladrões. A gente vem desenvolvendo um trabalho de ir contra a ideia propagada pela mídia sensacionalista e mostrar um outro lado da comunidade. De fato, não podemos negar que existe uma interferência do tráfico de drogas na região porem existem em sua maioria pessoas trabalhadoras e honestas que trabalham dia a dia para levar o pão para casa?, explica Borges.

 

No que diz respeito ao assunto abordado na matéria do Correio, Jefferson salienta que a violência é um problema de qualquer grande metrópole do país. Sobre a acusação dos moradores do Horto Florestal que apontam a Chapada do Rio Vermelho como o foco do problema, o publicitário é enfático: ?Não vejo a culpa como sendo do bairro popular. Até por que esses prédios novos chegaram agora e a comunidade já estava ali presente. Não se pode culpar a comunidade. Como diz o ditado: os incomodados que se mudem. É fácil apontar sem saber o que de fato acontece na comunidade?.

Gil de Leon, Presidente do Instituto Entre Aspas

O líder comunitário Gil de Leon, morador da Chapada do Rio Vermelho,  ressalta que ?a priori? não se tem como afirmar que de fato as balas perdidas partem da Chapada. ?Inclusive especialistas falam na matéria que não dá para confirmar que os disparos partem daqui?, explica Gil.  Assim como Jefferson, Gil reforça a ideia da necessidade de desconstruir o discurso de parte da imprensa onde a região é constantemente falada de forma negativa e argumenta que em outras ocasiões moradores do Horto Florestal já haviam destilado preconceito contra a comunidade da Chapada. ?Não visualizam que na comunidade tem gente que trabalha e estuda. É um discurso discriminatório e uma falta de respeito. Acredito que tem muitos moradores aqui da área que trabalham na residência desses hipócritas moradores daqueles condomínios.  Não é a primeira vez que moradores do Horto Florestal se dirigem dessa forma aos moradores da Chapada do Rio Vermelho…Eles se sentem incomodados com a nossa presença. Somos discriminados por sermos pobre e pretos. Uma certa vez numa reportagem do jornal da Metrópole, moradores lá do Horto foram contrários à construção de uma passarela naquela via em frente à Ceasa do Rio vermelho. Alegaram que poderia ser um risco. É um absurdo isso!?, brada o líder comunitário.

 

Silvio Humberto – Vereador de Salvador – Foto divulgação

Representante do poder público o Vereador Sílvio Humberto destaca que é fato que a violência está disseminada por toda a cidade e que a população das periferias são as mais vulneráveis. O edil faz a seguinte ressalva: ?É Importante que a população e sua área de residência não sejam? estigmatizadas? e uma das formas é ressaltar os seus valores?.  Ainda de acordo com o vereador ?o Estado, em suas diversas esferas, precisa assegurar serviços públicos de qualidade, que certamente contribuirá para a diminuição da vulnerabilidade da população mais afetada pela violência?. ?O carnaval do Nordeste é um exemplo de violência zero, um modelo a ser seguido de economia solidária e de auto geração de trabalho e renda?, finaliza o edil.

FALA COMUNIDADE!

Mauricio Dos Santos Souza (Mr. Armeng)

?Semana passada estive lá na invasão sofisticada e liberada deles. Concentração de riqueza em alto nivél, enquanto do outro lado a pobreza grita. Vou olhar esse jornal. Mas desde já, vamos analisar um pedido de retratação?.

Claudete Mendonça

?Infelizmente esta sociedade podre em que vivemos e que não consegue enxergar além do próprio umbigo nos culpam por seus desafetos.. .. Muitas criminosos estão dentro de suas próprias famílias… Mas eles são ricos… E Ricos, não matam seus pais, não roubam, não traficam, não erram nunca…..!!?

 Bebeto Cerqueira

?A violência está em todo país e os governantes são os verdadeiros culpados. Quanto a hipocrisia dessas pessos que se acham com um rei na barriga, hj em dia eu até ignoro, pois se tem um lugar que não falta ladrão é no Horto Frorestal e em outros bairros nobres. Um monte de tiro surdo roubando pra caralho e o reflexo dessa ação de tanta roubalheira?.

Dinsjani Pereira

O fato real é que a cidade de Salvador vem apresentando um expressivo crescimento da criminalidade. Inclusive o número de homicídios.  Quando se aponta uma comunidade como alvo central de criminalidade a população que lá convive e/ou trabalha fica como? Graças a Deus os 2 anos trabalhando na chapada nunca tive intercorrência na comunidade.

 

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