Exemplo, Jovem do Nordeste de Amaralina Vence barreiras e consegue bolsa para estudar Medicina.

Kaíke Jesus da Silva, 18 anos, morador do Nordeste de Amaralina.

Jovem negro de bairro periférico, muitas das vezes esquecido pelo poder público e vítima das máculas impostas pela sociedade. Poderia se deixar levar pelas tentações da ?vida fácil?, como muitas vezes acontece, mas quis o destino que ele fizesse diferente. ?Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço?, disse o poeta Gilberto Gil em certa canção.  E Caíque seguiu à risca as lições do velho poeta.

Kaíke é um dos contemplados com uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni). Cursa o primeiro semestre de Medicina na Universidade Salvador (Unifacs). Mas como já foi dito, nada veio de mão beijada para o futuro médico. Por ser filho de industrial, Kaíke teve o dirieito de cursar o ensino fundamental na rede SESI. Estudou no Colégio Comendador Bernardo Martins Catharino. ?Lá tinha um preço acessível para que meus pais pudessem pagar. O colégio era lá na Ribeira. ?Eu saía cedo de manhã, em torno de 5h40… 5h50… E foi assim… No início meus pais foram me levar e depois eu comecei a ir só?, lembra o jovem. Ao final da oitava série, em 2012, ele ingressou no ensino médio. Passou a estudar no colégio Djalma Pessoa, em Piatã. ?No ensino médio me tornei bolsista integral pois eles disponibilizavam bolsas no ensino médio para filhos de industrial. Isso também foi crucial para que eu pudesse estar agora cursando medicina na Unifacs?, conta.

Após o término do terceiro, o garoto ingressou em um curso de técnico na rede Senai na área de elétrica, também de forma gratuita. O caminho era promissor, mas ainda não era o que ele queria. Algo ainda o inquietava: a medicina. ?Sempre foi meu sonho estudar medicina. Desde pequeno todos os meus planos e tudo aquilo que eu me dedicava, todas as minhas abdicações, muitas vezes com os recursos tendo que ser muito bem administrados, era nesse sentido?, explica o futuro ?doutor?. Persistente no seu objetivo, porém ciente das dificuldades a serem enfrentadas Kaíque seguiu firme. O jovem passou a estudar em casa. Pela tarde fazia o curso técnico. Já pela tarde e pela noite voltava aos livros de olho nas provas do vestibular e do Enem. ?Estudei por conta própria pois não tinha como pagar cursinho?, relembra. Em 2015 fez o Enem, mas não obteve a pontuação suficiente. Após mais um ano seguindo a rotina de curso e estudo Kaíque logrou êxito em sua empreitada. ?Foi uma vitória que se resumiu a vários anos, não foi uma coisa do momento, mas que refletiu em toda a minha história, todas as minhas lutas, dificuldade e também superações. Sou bolsista do Prouni, meus pais já estão perto da terceira idade, e eu não tinha como pagar uma faculdade de medicina?, comemora o obstinado rapaz.

Para aqueles que possuem uma história de vida parecida com a sua e de alguma forma alimentam algum tipo de sonho o garoto fala asa seguintes palavras: ?Penso que muitas vezes a representatividade importa. Então é importante que a gente divulgue, pois estamos numa comunidade onde o estigma ainda persiste. Devemos mostrar que é possível. É como sempre digo: O caminho talvez seja um pouco mais longo e árduo, mas não é impossível. Outros desafios virão pela frente. Mas devemos sempre enfrentar. Não perca o sonho de ser quem você quer ser pela condição social ou pelo estigma que é perpetuado por muitos e muitos anos?.

Que desse exemplo faça surgir novos ?Kaíques? em nossa comunidade. Parabéns garoto!

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU