[LUTO] Jovem da Chapada do Rio Vermelho acusa maternidade como culpada pela morte do seu filho

Banco de Leite Humano Na foto: Instituto de Perinatologia da Bahia - IPERBA Autora: Carol Garcia / AGECOM

O calvário da jovem Alana dos Santos, 19 anos, começou em janeiro deste ano. Grávida, ela começou a sentir as contrações. Já com os nove meses de gestação completos, a jovem se dirigiu ao Instituto de Perinatalogia da Bahia (Iperba) com a ficha de encaminhamento expedida pela médica que havia lhe atendido. Chegando ao Iperba, ouviu que ainda não estava na hora dela parir. Voltou para casa com dor. Quando não, lhe receitaram um Buscopan. “Apesar de eu dizer que estava sentindo muitas contrações, o pessoal do Iperba não queria me internar. ”, explica, Alana que fez todo o pré-natal no posto Menino Joel, no Nordeste de Amaralina.

Esse filme voltou a se repetir algumas vezes. Cansada, resolveu ir à maternidade José Maria de Magalhães Neto, no Pau Miúdo. Novamente recebeu o mesmo veredicto: “ainda não está na hora…”. Padecendo de fortes dores, Alana voltou ao Iperba. Foi quando, finalmente, um médico encaminhou a jovem à sala de ultrassom. “O médico fez a conta e falo que eu já tinha passado de ter meu filho. Quando eu fui fazer a ultrassom já não tinha líquido nenhum na barriga. Tive que fazer uma Cesária correndo. Cheguei na sala de cirurgia meu filho já tinha feito mecônio na minha barriga. E Eu quase tive hemorragia”, relata a jovem.

Alana deu à luz no dia 4 de fevereiro. O período de tranquilidade não demorou. Em março o pequeno Arthur Ramsés começou a apresentar alguns problemas. O calvário de Alana seria reiniciado:  “A barriga do meu filho começou a crescer… Meu marido achou estranho e eu também. Numa quinta-feira a gente retorno ao Iperba e lá eles falaram que meu filho tinha gases. A médica passou um remédio de R$90. Voltamos para casa e nada da dor meu filho passar. A gente resolveu levar meu filho no Pau Miúdo e lá se negaram a atender porque ele não nasceu lá”.  Como a dor do pequeno Arthur não passava, Alana e sua sogra resolveram voltar ao Iperba. Ao examinar o bebê e perceber alguma anormalidade, a médica que não sabia do martírio sofrido pela jovem de hospital em hospital, questionou o porquê não a haviam trazido a criança logo: “Eu respondi que já tinha trazido meu filho aqui umas cinco vezes e eles diziam que não tinha nada grave. Que era apenas gases. Ela aí disse que meu filho ficaria internado”.

Na sexta-feira, 1 de março, às 20h, a fatídica notícia: a criança não resistirá. “Uma médica veio até mim e falou: Mãe, seu filho morreu..Na hora eu surtei. Fui para cima. Queria agredir ela… Sai quebrando tudo.. Logo depois, uma médica do Iperba me chamou no canto e disse assim: Vou te dizer uma coisa, mas não comente com ninguém. Eles vão colocar que seu filho teve bronquiolite mas o caso do seu filho foi mecônio. Tinha passado do prazo de nascer”.

Bastante abalada, Alana ainda não conseguiu superar o trauma e vencer a dor da perda prematura do seu primeiro filho: “Eu quero justiça. Se tivesse internado meu filho na quinta-feira ele não teria morrido. Eles não queriam me dar o laudo. Eu exigi e disse que meu advogado havia pedido. Colocaram no laudo que a causa da morte foi bronquiolite”, desabafa Alana num misto de resignação e dor.

Nossa equipe tentou contato com a direção do Iperba, mas não obteve sucesso.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU