Centro para surdos é inaugurado em Salvador e encaminha deficientes para postos de trabalho

Domingo, 12 Novembro 2017 13:36

Tema foi discutido na redação do Enem deste ano

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) deste ano pegou boa parte dos concorrentes de surpresa. O assunto “desafio na formação educacional de surdos” não foi previsto nem pelos professores mais experientes quando se fala de vestibular. Novidade ou não, o tema não deixa de ser oportuno, uma vez que, o número de matrículas de pessoas surdas nas escolas caiu nos últimos anos. Este dado foi mostrado na própria prova e, segundo o Ministério da Educação (MEC), entre 2011 e 2016 houve uma redução de 23% no número de estudantes com esta deficiência. 

Por ser um tema tão pouco debatido, poucos são também os centros de apoio e acolhimento das pessoas com esta deficiência. O centro para surdos de Salvador, por exemplo, foi inaugurado há pouco mais de três semanas. Segundo a prefeitura, o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência (Comped), inaugurado no último dia 24 de outubro, “vai contribuir para corrigir a baixa empregabilidade desse público na capital baiana, no intuito de tornar Salvador uma referência nacional na inserção do segmento no mercado de trabalho”, disse por meio de nota.

A sede do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência (Comped) fica na Avenida Joana Angélica, rua Engenheiro Lima e Silva, Edifício Fernando José, 399. O local também abriga a Unidade para Pessoas com Deficiência do município (UPCD).

A unidade irá atender e formar pessoas com deficiências motoras, visuais, auditivas e intelectuais, a fim de que elas consigam ingressar no mercado de trabalho. De acordo com a prefeitura, em 2017 apenas 4% das 320 vagas disponibilizadas para pessoas com deficiência (PCD) pelo Serviço Municipal de Intermediação de Mão-de-Obra (Simm) foram preenchidas. “Dentre os motivos apontados para este déficit no mercado de trabalho consta a falta de qualificação para determinada área ou, de forma oposta, à oferta de colocações aquém da formação apresentada pelo candidato que se apresenta à vaga”, explicou.

Varela Notícias ainda conversou com a tradutora/intérprete e instrutora da Língua de sinais (Libras), Isabela Miranda. Aos 40 anos, a profissional já atua na área há 15 e atualmente integra a Secretaria da Justiça Central de interpretação de Libras. Para ela, o Enem trazer este tema para o debate e coloca-lo no centro das discussões é uma vitória.

“É algo que eles [surdos] vêm lutando há longos e árduos anos. Os surdos, que há séculos eram vistos como pessoas não pensantes por não terem a fala desenvolvida por conta da surdez – mas sua anomalia é apenas na audição e não na fala – sendo tema Nacional… Eu que participo ativamente desse movimento posso sentir o gosto da vitória conquistada”, comemorou.

Para Miranda, ainda há muito o que caminhar, no entanto, ela enxerga o aumento do espaço conquistado por essas pessoas. “É como uma luta que vem sendo  conquistada a cada dia, pelos deficientes auditivos do Brasil, na sociedade, nos espaços públicos, privados e na política”, frisou.

Da Redação  - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.





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