Dona Vera: Guerreira Do Nordeste De Amaralina

Maria Quitéria nasceu, em Feira de Santana, no dia 27 de julho de 1792. Vera Lúcia Machado Texeira veio ao mundo, em Salvador, no dia 16 de abril de 1955. A primeira filha de um fazendeiro e a segunda filha de um pescador. Ambas mulheres e guerreiras. A primeira lutou pela Independência da Bahia e a segunda pela comunidade da Nova República, no Nordeste de Amaralina. A biografia de uma das principais protagonistas do 2 de julho, poderia servir de roteiro para contar a história de vida daquela que é considerada uma das grandes guerreiras do nosso bairro. Se Maria Quitéria ocupa papel de destaque nos livros de história da Bahia, “Dona Vera”, como é conhecida, tem seu espaço cativo no coração do povo do Nordeste de Amaralina. Assim como a heroína da independência, ainda pequena, mais precisamente aos oito anos, Dona Vera perdeu sua mãe, sendo criada pelo pai e pela madrasta. Iniciou os estudos na escola na Cupertino de Lacerda. Posteriormente foi transferida para escola General Dionisio Cerqueira, quando ainda era na Pituba. Ainda adolescente, Vera se viu obrigada a deixar os estudos para arranjar emprego e ajudar nas despesas de casa. Foi trabalhar em casa de família como doméstica. Adiante trabalhou em restaurante, lanchonete, além de lavar roupa com a madrasta. Tempo depois ainda tentou voltar aos estudos. Matriculou-se nas aulas noturnas na escola Zulmira Torres, mas não foi à frente. “Depois parei de estudar e não me formei. Foi a vida quem me formou”, conta. Aos vinte e poucos anos, casou-se e constituiu família. Foram dez filhos e até agora dezesseis netos. TRABALHO COMUNITÁRIO - Em 1987, Dona Vera chegou na comunidade da Nova República, que na época era uma invasão. Morava com o marido e os filhos no Nordeste de Amaralina, próximo onde é hoje é a 28ª delegacia, mas por necessidade precisou se mudar aqui para a comunidade da Nova República, no Boqueirão. “Quando eu cheguei ainda era tudo mato. Aqui iniciei minha vida comunitária, por conta das necessidades que a comunidade exigia. Não tinhamos agua, energia, morávamos em barracos de madeira. Me reunia com outras pessoas para buscar melhorias. Junto com Tania Palma e Valdelice começamos as reuniões na Associação do Moradores Nordeste de Amaralina (AMNA). Levávamos os problemas... Sempre buscando a melhoria para a comunidade”. Dona Vera rechaça a questão do preconceito na luta comunitária. “Nunca senti preconceito. Já começamos “empoderadas”. Com o pessoal da AMNA nos tornamos politizadas”, explica. Focada sempre em defender os interesses da comunidade, Vera seguiu em frente. Entre alguns dos seus principais feitos ao longo desses mais de trinta anos, ela destaca: “A Nova República sempre ficou em segundo plano, sempre discriminada e apontada como área perigosa. Nunca trabalhei só, sempre tive alguém do meu lado. Fundamos a Associação de Mulheres da Santa Cruz. Criamos o Fórum de Combate à Violência. Participei da criação do programa Viva Nordeste, desde o seu início. Criamos o Núcleo para cuidar de pessoas vítimas de violência; da implantação do Balcão de Justiça e Cidadania. Fomos participando das ações, divulgando a comunidade.... Continuo lutando. Muitos retrocederam, muitos se venderam a políticos e se tornaram assessores. No Viva Nordeste, entre 2003 e 2007, criamos a cooperativa de reciclagem e a cooperativa de agentes ambientais da Nova República. Além de várias outras atividades relacionadas à comunidade. Minha militância foi essa durante esse 32 anos. Lutas e lutas”. A total dedicação à causa comunitária trouxe problemas a Dona Vera. Muitas vezes a família teve que ser colocada em segundo plano. “Não trabalhei de carteira assinada, não sou aposentada”, explica. Entretanto, ela não se diz arrependida. A velha guerreira sai do sério quando o assunto são as péssimas condições das escolas do bairro e desabafa: “Sempre tive uma atenção especial com a educação. Sempre fui parceira das escolas, em especial com a escola Dioniso Cerqueira, onde meus filhos estudaram. Sem educação só resta a violência. Nosso bairro está carente de educação. Sinto tristeza em ver escolas fechando”. Para as outras mulheres guerreiras do bairro, que assim como ela lutam e vestem literalmente a camisa do Nordeste de Amaralina, Dona Vera deixa a mensagem: “Eu tenho muito prazer de ser mulher. Tenho filhas mulheres. Precisamos que os jovens tenham mais deus no coração. Que as mulheres se valorizem. Desejo a todas um feliz dia da mulher. Destaco a professora Gisele, Andreia Macedo do CSU, Valdelice, amiga irmã, as diretoras Lurdinha do Teodoro Sampaio, Auxiliadora do Dionisio Cerqueira, Rosane da José Calasans, Val da Dália de Menezes, a incansável Tania Palma a Capitã Sheila Barbosa. Mulheres que estão sempre na luta”. Salve Maria Quitéria, Salve Dona Vera, Salve todas as mulheres que de alguma forma ajudaram a transformar o mundo.

Maria Quitéria nasceu, em Feira de Santana, no dia 27 de julho de 1792. Vera Lúcia Machado Texeira veio ao mundo, em Salvador, no dia 16 de abril de 1955. A primeira filha de um fazendeiro e a segunda filha de um pescador. Ambas mulheres e guerreiras. A primeira lutou pela Independência da Bahia e a segunda pela comunidade da Nova República, no Nordeste de Amaralina. A biografia de uma das principais protagonistas do 2 de julho, poderia servir de roteiro para contar a história de vida daquela que é considerada uma das grandes guerreiras do nosso bairro. Se Maria Quitéria ocupa papel de destaque nos livros de história da Bahia, “Dona Vera”, como é conhecida, tem seu espaço cativo no coração do povo do Nordeste de Amaralina.

 

Assim como a heroína da independência, ainda pequena, mais precisamente aos oito anos, Dona Vera perdeu sua mãe, sendo criada pelo pai e pela madrasta. Iniciou os estudos na escola na Cupertino de Lacerda. Posteriormente foi transferida para escola General Dionisio Cerqueira, quando ainda era na Pituba. Ainda adolescente, Vera se viu obrigada a deixar os estudos para arranjar emprego e ajudar nas despesas de casa. Foi trabalhar em casa de família como doméstica. Adiante trabalhou em restaurante, lanchonete, além de lavar roupa com a madrasta.

Tempo depois ainda tentou voltar aos estudos. Matriculou-se nas aulas noturnas na escola Zulmira Torres, mas não foi à frente. “Depois parei de estudar e não me formei. Foi a vida quem me formou”, conta. Aos vinte e poucos anos, casou-se e constituiu família. Foram dez filhos e até agora dezesseis netos.

 

TRABALHO COMUNITÁRIO – Em 1987, Dona Vera chegou na comunidade da Nova República, que na época era uma invasão. Morava com o marido e os filhos no Nordeste de Amaralina, próximo onde é hoje é a 28ª delegacia, mas por necessidade precisou se mudar aqui para a comunidade da Nova República, no Boqueirão. “Quando eu cheguei ainda era tudo mato. Aqui iniciei minha vida comunitária, por conta das necessidades que a comunidade exigia. Não tinhamos agua, energia, morávamos em barracos de madeira. Me reunia com outras pessoas para buscar melhorias. Junto com Tania Palma e Valdelice começamos as reuniões na Associação do Moradores Nordeste de Amaralina (AMNA). Levávamos os problemas… Sempre buscando a melhoria para a comunidade”.

 

Dona Vera rechaça a questão do preconceito na luta comunitária. “Nunca senti preconceito. Já começamos “empoderadas”. Com o pessoal da AMNA nos tornamos politizadas”, explica. Focada sempre em defender os interesses da comunidade, Vera seguiu em frente. Entre alguns dos seus principais feitos ao longo desses mais de trinta anos, ela destaca: “A Nova República sempre ficou em segundo plano, sempre discriminada e apontada como área perigosa. Nunca trabalhei só, sempre tive alguém do meu lado. Fundamos a Associação de Mulheres da Santa Cruz. Criamos o Fórum de Combate à Violência. Participei da criação do programa Viva Nordeste, desde o seu início. Criamos o Núcleo para cuidar de pessoas vítimas de violência; da implantação do Balcão de Justiça e Cidadania. Fomos participando das ações, divulgando a comunidade…. Continuo lutando. Muitos retrocederam, muitos se venderam a políticos e se tornaram assessores. No Viva Nordeste, entre 2003 e 2007, criamos a cooperativa de reciclagem e a cooperativa de agentes ambientais da Nova República. Além de várias outras atividades relacionadas à comunidade. Minha militância foi essa durante esse 32 anos. Lutas e lutas”.

A total dedicação à causa comunitária trouxe problemas a Dona Vera. Muitas vezes a família teve que ser colocada em segundo plano. “Não trabalhei de carteira assinada, não sou aposentada”, explica. Entretanto, ela não se diz arrependida. A velha guerreira sai do sério quando o assunto são as péssimas condições das escolas do bairro e desabafa: “Sempre tive uma atenção especial com a educação. Sempre fui parceira das escolas, em especial com a escola Dioniso Cerqueira, onde meus filhos estudaram. Sem educação só resta a violência. Nosso bairro está carente de educação. Sinto tristeza em ver escolas fechando”. Para as outras mulheres guerreiras do bairro, que assim como ela lutam e vestem literalmente a camisa do Nordeste de Amaralina, Dona Vera deixa a mensagem: “Eu tenho muito prazer de ser mulher. Tenho filhas mulheres. Precisamos que os jovens tenham mais deus no coração. Que as mulheres se valorizem. Desejo a todas um feliz dia da mulher. Destaco a professora Gisele, Andreia Macedo do CSU, Valdelice, amiga irmã, as diretoras Lurdinha do Teodoro Sampaio, Auxiliadora do Dionisio Cerqueira, Rosane da José Calasans, Val da Dália de Menezes, a incansável Tania Palma a Capitã Sheila Barbosa. Mulheres que estão sempre na luta”. Salve Maria Quitéria, Salve Dona Vera, Salve todas as mulheres que de alguma forma ajudaram a transformar o mundo.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU