Comunidade protesta contra fechamento da escola Cupertino de Lacerda

Procurado pela nossa equipe o diretor da unidade preferiu não se manifestar.

Muito pesar e revolta. Assim foi marcada a manifestação contra o fechamento da escola Cupertino de Lacerda. Alunos, pais, professores e demais funcionários da unidade se reuniram em frente à escola empunhando cartazes com mensagens contrárias ao fechamento da instituição. “Cupertino para sempre”, “Fecha, não. Reforma, sim”, “Somos estudantes, e não lixo”, foram algumas das frases que se lia e ouvia entre os manifestantes.

José Carlos da Silva, professor de Ciências Naturais e atualmente o mais antigo funcionário da escola, com 27 anos de casa, ressalta que a Cupertino de Lacerda ajudou muito a comunidade e transformou a vida de muitos jovens.  “Muitas vidas foram salvas aqui”, destaca o docente. José Carlos continua: “A comunidade não pode perder um patrimônio como esse. Seria um prejuízo muito grande para a comunidade do Nordeste, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada. Uma escola com mais de cinco décadas de história, de luta e resistência e agora vem o governo nos descartar. Já consultamos as escolas da região e não tem vaga. Quero sair daqui de cabeça erguida e honrado. É como Darcy Ribeiro falou: Quando você fecha ou não constrói uma escola você tem que abrir presídios”.   A professora de educação artística, Tânia Flores, que há dez anos leciona no local, contou que chegou para mais um dia normal de trabalho e foi surpreendida com a “desagradável” notícia. Tânia se diz preocupada com a medida: “Fechamento de escola, aos meus olhos, é abrir mais cadeias. A preocupação maior é para onde vão esses alunos. Os colégios aqui da redondeza estão lotados. Os professores das outras instituições não querem uma sala de aula superlotada, pois não tem como trabalhar dessa forma. Nossa expectativa é que haja uma desistência e não haja fechamento. A direção nos orientou a esperar para ver o que de fato vai acontecer. Estamos nesse impasse se vai acontecer mesmo”.  

Bastante revoltada, a estudante do sexto ano, Rebeca Cerqueira, moradora do Nordeste de Amaralina, também criticou o fechamento da unidade: “Achei muito ruim. Tem pessoas aqui que moram longe e vem para cá, pois não tem escola perto. O Cupertino tem cinquenta anos de história. Fiquei muito triste com essa notícia. Como moro aqui perto não preciso gastar dinheiro com transporte. Imagina eu ter que me deslocar para um outro bairro. Meus pais estão muito preocupados”.

Com uma relação afetiva de longa data com a escola, onde estudou e trabalha há 18 anos, a merendeira Hildete dos Santos, 68 anos, disse que a recebeu a notícia como uma “bomba”. “Minha história com o Cupertino vem de longo tempo… Lembro da diretora Carmem Lúcia, da professora Áurea…”, conta emocionada. De acordo com Hildete, ela e os demais funcionários terceirizados, inclusive já foram procurados pela direção: A direção já conversou com a gente. Falaram que o colégio ia fechar e que a gente aguardasse. Disseram que seríamos transferidos para um outro lugar e não ficaríamos na rua. Somos terceirizados. Se eu pudesse diria que não fechasse…Tem muito aluno e funcionário que mora por aqui e que precisa desse lugar para estudar e trabalhar”.

Procurado pela nossa equipe o diretor da unidade preferiu não se manifestar. Em vídeo circulando desde ontem nas redes sociais o Governador Rui Costa afirmou: Concluímos a reunião com a Secretária de Educação e confirmamos aqui que eu já sabia desde sempre: “Não há, felizmente, nenhuma veracidade naquelas listas que circulam pelos grupos de whatsapp. Quero garantir que o que estamos fazendo é melhorar a nossa escola. Precisamos juntos melhorar a qualidade de ensino da nossa rede estadual. Já agendamos a inauguração de novas escola. Temos sete escolas que estarão prontas para serem entregues à população agora em dezembro”.

 

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU