Após segurança tentar impedir almoço de criança, OAB-BA vai oficiar shopping

Defensoria também acompanha o caso; manifestação está marcada para sábado

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) vai oficiar o Shopping da Bahia, após o episódio envolvendo um segurança, um cliente e uma criança em situação de vulnerabilidade social.

Em um vídeo postado no Facebook nessa segunda-feira (12), é possível ver o segurança do estabelecimento tentando impedir que o jovem Kaique Sofredine compre o almoço de um menino negro.

Na tarde desta terça, o shopping divulgou um novo comunicado sobre o caso, confirmando o afastamento do segurança das atividades junto ao público. Ele passará por um curso de reciclagem.

Repercussão
Em menos de 24 horas, o vídeo que registrou a confusão teve mais de 10 milhões de visualizações e mais de 465 mil compartilhamentos. Em entrevista ao CORREIO, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-BA, Jerônimo Mesquita, explicou que a comissão vai divulgar, em conjunto com a Comissão da Igualdade Racial, uma nota pública sobre o caso.

“A gente vai mandar um ofício para o shopping, para que eles esclareçam oficialmente o que aconteceu e o que vão fazer para reparar o ocorrido – se vão fazer medidas reparatórias garantindo o acesso de jovens negros da periferia, por exemplo, a atividades de lazer; se vai haver política de inclusão de funcionários”, diz, citando, ainda, um crescente embranquecimento no quadro de trabalhadores de centros comerciais.

A informação foi divulgada antes do comunicado de afastamento do funcionário.

Outro tipo de medida reformatória poderia ser, inclusive, uma formação em Direitos Humanos para os profissionais que trabalham na segurança do shopping, o que foi prometido no comunicado mais recente do centro comercial. Segundo Mesquita, o caso é de racismo.

“O menino foi discriminado por ser pobre e negro. Quanto mais elitizado o shopping, como é o caso de outros como Salvador e o Barra, mais exclusão. Os shoppings querem fazer uma seleção de quem frequenta, por isso, começou a ter aqueles grupos de rolezinho”, opinou, referindo-se a um movimento que se popularizou em 2013 em todo o país.

Ainda de acordo com ele, o shopping não pode escolher quem vai frequentar o ambiente – uma vez que é aberto ao público, qualquer pessoa pode ter acesso. E, além disso, mesmo que a criança estivesse, de fato, tentando vender doces aos frequentadores do shopping, a atitude não seria aceitável.

“O segurança agrediu o menino. O vídeo mostra que havia uma pessoa disposta a comprar comida para ele, mas, ainda que não fosse, ainda que ele estivesse vendendo, não pode empurrar o menino. Isso é uma violação absurda dos direitos da criança”, denuncia.

Perda de alvará
O ofício deve ser encaminhado até sexta-feira (15), mas não há prazo para que o shopping responda. Se não houver nenhum tipo de diálogo, a OAB-BA vai avaliar internamente que medidas serão adotadas em seguida – inclusive, com a possibilidade de acionar o Ministério Público Estadual (MP-BA).

“O shopping pode perder até o alvará de funcionamento, porque está praticando racismo, por estar discriminando um jovem negro por ser negro. O racismo praticado pelos seguranças nos shoppings de Salvador é gritante, mas o segurança está levando a culpa por uma política do shopping. Ele também é vítima”.

No Whatsapp, um anúncio convoca para uma manifestação no shopping, no sábado (16), às 15h. O ato não é promovido pela OAB-BA, mas a entidade deve participar, através das Comissões de Direitos Humanos e de Igualdade Racial.

 

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Redação NES
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