Alunos da Escola Professor Bernadino Moreira participaram de ciclo de debates

Fazendo valer o compromisso de despertar nos alunos o senso crítico  acerca dos diversos tema da sociedade, a Escola Professor Bernadino Moreira (EPBM) realizou na última quinta (24) a culminância do projeto colaborativo do Laboratório de Inteligência de vida (LIV) que teve como eixo temático: “Deixa as diferenças em paz”.

Na oportunidade os estudantes tiveram a oportunidade de debater sobre diversos assuntos tais quais: bullying, feminicídio, superação, dentre outros. O encontro contou com as participações das psicólogas Emanuela Oliveira, Larissa do Vale, Manuela Sá, Sandra do Vale e Bruna Gusmão, além do advogado Fábio Almeida, o líder comunitário Gil de Leon e a militar Cabo Pinho. Os professores Ana Paula e Fábio Almeida também puderam transmitir às suas experiências para os alunos.

O advogado Fábio Almeida destacou a importância do debate, sobretudo de temas como feminicídio e bullying, que segundo ele, está vêm sendo exaustivamente mostrados no noticiário. “É importante a escola ser o segundo setor, o primeiro é a família, a educação de berço. Através de projetos como esse a escola acaba dando esse apoio que as vezes não se tem em casa”, pontuou Almeida. Em sua explanação a Cabo Pinho, da 40ª CIPM, falou aos alunos sobre a sua experiencia no mercado de trabalho e os preconceitos vivenciados por ela enquanto mulher e negra. Pinho, que também exerce a função de professora em escolas da comunidade, falou ao Nordesteusou (NES) sobre a iniciativa do EPBM: “A escola vem fazendo esse excelente trabalho de conscientização. É na escola onde o aluno passa a maior parte do tempo, fora do lar. Então, é a maneira mais fácil deles estarem conscientes e se colocarem no lugar do outro. A escola, a polícia e família tem que estar andando o tempo todo em triângulo. Só assim teremos uma sociedade mais justa”.

LIV – “É importante como um todo, como a própria formação do sujeito. Eu, que além de professora sou psicóloga, acredito muito na mudança do sujeito. Precisamos, desde cedo, incutir isso nos alunos. Precisamos sair da teoria e ir para a prática e fazer com que eles reflitam sobre essas questões. Essas noções a gente passa através do LIV, onde trabalhamos também as habilidades socioemocionais com crianças desde o jardim I até o nono ano”, explicou a professora Emanoela Oliveira, umas das coordenadoras do projeto.

A também coordenadora, Larissa do Vale, salientou que um dos principais objetivos da iniciativa do LIV é de se construir sujeitos cidadãos. “Essa temática é de grande importância para que esses alunos comecem a pensar sobre o seu lugar no mundo. No começo os alunos demonstraram alguma resistência, mas depois quando se começa a trabalhar o assunto e trazer relatos de pessoas que viveram situações de preconceito e violência eles começam  a ter maior empatia com a temática”, explica a docente.

Depoimento – O depoimento da fisioterapeuta Isabela Oliveira causou grande impacto entre os presentes. Há cerca de sete meses atrás, Isabela foi vítima de uma tentativa de feminicídio por parte de um ex-namorado, que não aceitava o fim da relação. “Me envolvi com uma pessoa e no decorrer da relação me vi que vivia uma relação abusiva. Eu não conseguia sair sozinha nem com minha filha. No final sempre acabava me achando culpada. Achava que não estava sendo uma pessoa à altura dele. Resolvi terminar e ele aí planejou minha morte”, conta.

De acordo com Isabela, quando saía do trabalho, no Hospital Santa Isabel, foi abordada pelo ex-companheiro. Ao entrar no carro, a vítima acabou surpreendida. “Ele estava com mais dois homens que começaram a me agredir. Me enforcaram e me espancaram. Ele friamente me dizia que estava fazendo aquilo porque eu não gostava dele e por isso iria morrer. Tenho uma filha de 17 anos…Ofereci dinheiro para que eles desistissem. Queria a oportunidade de criar minha filha. Deus então me deu a ideia de me fingir de morta. Fiz uma apneia e fiquei quieta. Tomei 68 facadas. Jogaram meu corpo numa ribanceira de 10 m no CIA. Fiquei quieta e eles saíram”.

Debilitada e duvidando se ainda estava viva, a fisioterapeuta acabou socorrida por um casal que passava pelo local. Foi levada ao hospital em estado grave. As agressões lhe custaram 80% da visão do olho direito. O agressor foi denunciado e preso. “É difícil passar por uma situação dessa. Muitas não tiveram a mesma sorte que eu. O que me sustentou foi amor da minha família e dos meus amigos. Isso se serve de alerta a todos. É preciso se trabalhar a questão do machismo tóxico. O machismo é algo cultural e tem que ser trabalhado.  Hoje tenho um projeto de apoio à mulher vítima de violência”, concluiu Isabela.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU