[40 anos] Conheça a história do Colégio Carlos Santana

Carlos Correa Menezes de Santana nasceu em Salvador no dia 12 de agosto de 1931. É filho de Arnaldo Afonso dos Reis Santana e Alaíde Correia de Meneses Santana. Foi médico e professor adjunto da Universidade Federal da Bahia. Na década de 50 desempenhou diversas atividades ligadas ao magistério na rede pública de ensino da Bahia tornando-se Presidente da Associação de Professores Oficiais do Ensino Médio na Bahia de 1957 a 1959, e posteriormente, em 1958, professor assistente do Departamento de Pediatria na Ufba. Nos anos 60, gerenciou diversos órgãos ligados à Secretaria Estadual da Saúde.

Em 1974, Santana iniciou sua carreira política candidatando-se a deputado estadual na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar. Carlos Santana foi um dos mais intransigentes defensores do regime e um dos mais ativos. Acabou eleito com a terceira maior votação da sua legenda. Santana deixou o exercício do mandato pouco depois da posse, vindo a ocupar a pasta da Educação e Cultura na gestão do governador Roberto Santos (1975-1979). Em abril de 1978 desincompatibilizou-se da secretaria para se candidatar a deputado federal pela Arena, em novembro. Eleito, tomou posse em fevereiro de 1979. Pelo PMDB, elegeu-se deputado federal em 1982. Em 1985 Santana licenciou-se do mandato de deputado federal para exercer o cargo de ministro da Saúde do governo Sarney, onde ficou até 1986. Em janeiro de 1989, voltou ao governo Sarney, dessa vez ocupando a pasta da Educação, entre 1989 e 1990. Em outubro de 1990 candidatou-se a um novo mandato, obtendo, contudo, apenas uma suplência.

Em 1994  voltou à Câmara Federal assumindo a vaga aberta pela renúncia de Genebaldo Correia (PMDB-BA).  Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1995, ao final da legislatura, não tendo concorrido à reeleição no pleito de outubro do ano anterior. Carlos Santana continuou a exercer o cargo de professor adjunto de pediatria na Ufba e a clinicar em seu consultório. Foi casado com Eurides Avelar Freire Sant’anna, com quem teve sete filhos. Viúvo, casou-se com Fabíola de Aguiar Nunes.  Faleceu em Brasília em julho de 2003.

A REGIÃO – Situados no Beco da Cultura, região do Nordeste de Amaralina, as escolas Carlos Santana I e II foram fundadas no dia 7 de maio de 1979. Na época, o Governo do Estado com o objetivo de evitar que os estudantes, moradores da comunidade, não precisassem se deslocar para outros bairros resolveu montar no local um complexo escolar. A primeira unidade de ensino a funcionar no Beco da Cultura foi o Polivalente de Amaralina. Posteriormente, outras cinco escolas surgiram na região: o Pedro Tenório de Albuquerque, que funcionava onde hoje está instalado o Centro Social Urbano (CSU), o Polivalente de Amaralina, o Anita Barbuda (já extinto), o Carlos Santana I e Carlos Santana II. Em meados dos anos 80 e 90, o Beco da Cultura foi considerado um dos maiores complexos de educação da América Latina.

De acordo com o livro “Traços e Laços – Memórias da região do Nordeste de Amaralina”, toda essa região do Beco da Cultura, pertencia ao comerciante Joventino Pereira da Silva. O local era chamado de “Fazenda Pituba” e foi adquirido em 1881 pelo comerciante português, Manoel Dias da Silva, que ao morrer deixou o local como herança ao cunhado, Joventino. Ainda de acordo com o livro “Traços e Laços” a Fazenda Pituba se estendia do limite da Fazenda Ubaranas, mais ou menos na altura do Correio da Av. Manoel Dias da Silva até a Praça Nossa Senhora da Luz, e daí para o interior até Brotas, envolvendo a área da Santa Cruz e o Parque da Cidade. Posteriormente, Joventino Silva foi homenageado emprestando seu nome ao Parque Joventino Silva ou Parque da Cidade.

Moradores mais antigos do bairro, lembram, que o local tem forte ligação com as religiões de matriz africana, e que, inclusive no local onde hoje funciona o Carlos Santana II existia um terreiro de candomblé.

AS ESCOLAS – As escolas Carlos Menezes de Santana foram fundadas durante o mandato do então Governador do Estado, Antônio Carlos Peixoto de Magalhães No caso específico do Colégio Carlos Santana a reverência feita pelo Governador Antônio Carlos Magalhães obedeceu a critérios puramente políticos. Carlos Santana era amigo pessoal e correligionário de ACM. Mesmo recebendo a homenagem ainda em vida, Santana jamais pisou os pés nas escolas que carrega o seu nome. “Na época de inauguração da escola ele ainda era vivo, mas nunca esteve por aqui”, conta o professor Jorge Moreira, funcionário do Carlos Santana II desde a sua fundação, e diretor a partir de 2006. Há doze anos à frente do Carlos Santana II, a diretora Carla Regina* critica também os critérios que eram utilizados para “batizar” as escolas: “Nem sempre o nome da escola ele é dado para pessoas relevantes. Temos várias escolas, aqui mesmo na comunidade, que se enquadram nesse caso, tais como a General Dionísio Cerqueira. Carlos Santana não teve nenhuma expressividade aqui no Nordeste de Amaralina, enquanto que existem situações de diversas outras pessoas que mereciam essa honraria. A gente sabe que infelizmente O próprio Carlos Santana, indiretamente, prestou serviço ao regime militar…”.

“Antiguidade é posto”, dizem os mais antigos. Obedecendo ao referido provérbio, ninguém mais apropriado do que o professor Jorge Moreira para falar sobre a história e atestar a importância da escola:  “Quando essas escolas aqui chegaram não tinha nem asfalto para você ter uma idéia. Era tudo barro. A escola foi fundada em maio de 1979 com alguns cursos profissionalizantes e depois mudou para o ensino de formação geral. Depois veio a Lei 5.692 e novamente mudou. Hoje estamos com cursos profissionalizantes novamente. Essa escola tem feito muitos benefícios para a comunidade do Nordeste de Amaralina.  Tem muita gente hoje que trabalha através desses cursos ofertados aqui na escola. Foi de grande valia em minha opinião que sou morador do bairro há sessenta e tantos anos”.

Atualmente, o Colégio Estadual Carlos Santana I conta com aproximadamente 450 alunos divididos entre os turnos matutino, vespertino e noturno. Já o Carlos Santana II, desde 2011, funciona como Centro de Educação Profissional. A transformação do colégio em Centro , durante a gestão do Governador Jaques Wagner, foi mais uma ação do projeto “Pacto pela Vida” que envolve setores como segurança e educação. No CEEP já são ofertados os cursos técnicos de nível médio em Enfermagem, Informática, em Análises Clínicas e Segurança do Trabalho.

*A professora Carla Regina não é mais Diretora da unidade.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU