Voa, Giva. Voa…

Giva viveu e partiu como um pássaro. Vôou alto ao longo dos seus quarenta e poucos anos dignificando o exercício da sua profissão. Fez jus ao título de professor, atividade tão não nobre e ao mesmo tempo tão desprezada. Pelas areias e pista de cooper, de Amaralina e região, dividia com seus alunos todo conhecimento adquirido na faculdade de Educação Física. O seu amor pelo esporte contagiava a todos.


Dos pupilos sobram elogios. Sempre alegre, sorriso largo e palavras de incentivo. Sua garra e força saltavam aos olhos daqueles que tiveram a oportunidade conviver com esse moço. Lembro dos longos e inúmeros bate-papos que tive com ele, seja na época da barbearia ou num casual encontro na balaustrada ou nas ruas do bairro. “Você começa devagar, negão. Depois você vai aumentando o ritmo”, me disse certa vez numa das minhas inúmeras tentativas de começar a correr.


Não, Giva. Pessoas como você nunca morrem. Suas ideias e sua força de vontade são imortais, irmão. Seu legado jamais será esquecido. Chego na praia, fecho meus olhos e ainda te vejo a plenos pulmões com a “galera do funcional”. Me despeço de você através das sábias palavras do também mestre, Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…”


Voa, Giva. Voa…

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU