Conheça a história de Lorrany Smithy, a drag queen dona do bordão: “Eu quero ver o rosto. Cadê o rosto?”

Aos 18 anos, o jovem Wendell Nero do Nascimento da Silva, mostra que já enfrentou preconceitos, superou barreiras e hoje quebra paradigmas.

Uma conversa sobre gente por Robert Santos

Na época atual é possível dizer que as drag queens são extremamente populares. Elas estão nos teatros, no cinema, em festas e nas redes sociais, que o diga Pabblo Vittar, Gloria Groove e Aretuza, fenômenos e atualmente são as drags com maior número de seguidores nas redes sociais.

Drag queen é o nome dado a uma expressão artística que envolve a construção de um personagem. Apesar de socialmente associada à comunidade gay, a arte drag não tem a ver com gênero ou sexualidade. (Fonte: G1)

Um dos grandes destaques dessa expressão artística no Complexo do Nordeste de Amaralina, o jovem Wendell Silva, 18, mais conhecido por sua personagem: Lorrany Smithy. Conta que começou a se montar a partir dos 16 anos, após assumir sua sexualidade. “Lorrany é uma personagem que eu criei quando eu comecei a me conhecer, quando eu era pequeno. Eu me reconheci gay depois dos 16 anos de idade. Eu peguei mulher e não me dei muito.  Eu vim animar mesmo com homem”, conta.

Os conflitos interiores sobre ser ou não homossexual não fizeram parte da vida de Wendell, o processo mais delicado foi assumir para a família que era homossexual. Houve um tempo em que o jovem teve que sair de casa, porque a família não o aceitava.  “Eu morria de medo da minha família. Nem assim de minha mãe, mas sim da parte de minha vó, dos meus primos, dos parentes. Eles pensavam que eu era moleque, porque eu andava no meio deles sempre. Eu ficava com medo de minha família, mas depois que eu me assumi para minha mãe, que eu falei com ela, que ela falou que tudo bem, que me aceitava, mas que tentava não acreditar, que não acreditava ainda. Eu me soltei. Daí para cá eu me soltei”, finaliza.

A violência também é motivo de preocupação para Wendell, mas ele concorda que a violência não é um empecilho para que ele possa se expressar. Além disso, o jovem afirma sentir muita saudade de seu amigo, vítima de homofobia. “Minha maior decepção foi perder minha amiga, Wallace Souza. Até hoje eu choro, nem gosto de lembrar. Hoje em dia ainda tem muito homofobico, muita gente que desfaz de homossexual, gay, trans. Hoje em dia ainda tem muito. Eu tenho medo, mas saio na rua vestida de Lorrany”, disse.

Além de drag, Wendell afirma que se vira da forma que pode: “Eu faço tudo. Faço faxina, diária, cabelo, maquiagem, doce, lanche, salgado e trufa”, disse. Para ele é extremamente importante demonstrar que apesar da sua orientação sexual é muito capaz. Ademais, Wendell relata que apesar de toda a dificuldade nada irá pará-lo. “Eu já passei por muita coisa, muito preconceito, muitas dificuldades. Piorou para ter minha casa própria. No futuro eu quero ter um salão dentro do Nordeste e outro fora”, expressou.

Sobre o namoro, o jovem afirmou que não vê possibilidade de uma relação aberta, porque é romântico. “Eu estou solteiríssima, pronta para negócios. Eu gosto de ser romântica, de carinho. Gosto do príncipe encantado”, assegurou.

Para finalizar, o jovem manda uma mensagem especial para os moradores do Nordeste. “Muita paz. Muita felicidade sempre. Que vocês sempre gostem de mim. Que gostem de vocês mesmo. Que olhem no espelho e sejam felizes”, finaliza.

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Robert Santos
Graduando em Ciências Contábeis Ativista Social e Produção Geral do Portal NORDESTeuSOU