#Opinião TRAGÉDIA EM SÃO PAULO – AVISO PARA BAHIA

A tragédia que atingiu São Paulo, quando a Policia Militar daquele estado encurralou milhares de jovens em um baile funk e culminou no assassinato de 9 (nove) deles, é sem dúvida um aviso para os demais estados da Federação, sobretudo, para a Bahia. Não é novidade a forma truculenta como a polícia adentra nas favelas, lugares onde residem, em sua maioria, pobres, negros, favelados e como pensa a polícia, apenas bandidos.

Quem conhece o Nordeste de Amaralina sabe onde fica o “espetinho” e como é a atuação da polícia militar no local, onde constantemente chegam com bombas de gás, atiram para cima, chutam os jovens e circulam com as viaturas em alta velocidade pelo meio da multidão. Tudo com o intuito de dispersar os jovens naquela localidade. Até aqui não há nenhuma novidade. Quem mora na favela sabe bem como conviver com isso, quando a polícia chega é hora de correr do spray de pimenta e de bombas de gás.

A maioria das comunidades como Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho quase não tem área de lazer. Os da periferia não possuem poder aquisitivo para frequentar os badalados bares do luxuoso Mercado do Peixe ou do elitizado Jardim dos Namorados. Para essa turma, o “espetinho” no final de linha da comunidade é o melhor point do final de semana.

O que revolta não é a atuação da polícia, mas sim a eminência de uma tragédia que certamente será mais uma para as estatísticas e nada será solucionado. Como diria Gabriel García Marques e a sua “Crônica de uma morte anunciada”.

Quantos jovens sucumbem na bala em ações “legitimas”? Quantos Joel tombam sobre este solo em nome da “ legalidade”?

Quando se trata da favela, a forma de atuar é diferente, aqui não há qualquer abordagem respeitosa. O “encosta vagabundo” ou “deita no chão filho da puta” são frases corriqueiras, que não se ouve se você for morador da barra, graça, caminho das arvores, Alphaville.

O aviso para Bahia vem de uma ação desastrosas de uma das melhores polícias do país, mas é sem dúvida o resultado do programa de política de segurança que oprime o pobre, o negro e o morador da periferia, afinal de contas , o extermínio dessa população , satisfaz o ego de muitos justiceiros que descarregam suas mágoas e angustias naqueles que não podem se defender.

Imaginemos amigos que a licença para matar, ainda, não foi aprovada como deseja o Sr. Ministro da Justiça. O que será de nós quando as forças militares não precisarem nem justificar as suas ações.

E eu termino com Castro Alves, apenas para lembrar que o que está aí vem de muito tempo:
Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante os céus?!

Por Rodrigo Coelho

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Rodrigo Coelho
Advogado, Mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas. Diretor executivo do @nordesteusou