Presidente da ABCN faz balanço do carnaval 2020 e afirma: “Precisamos ter compromisso com a comunidade”

Em seu primeiro ano à frente da Associação de Blocos Carnavalescos do Nordeste de Amaralina (ABCN), o administrador de empresas e professor Robson Vieira dos Santos, o Bino, teve a árdua missão de cuidar dos associados e participar ativamente da organização do circuito. “A falta de compromisso de algumas pessoas que fazem o carnaval do Nordeste” foi apontada pelo presidente como principal entrave do carnaval 2020. Em conversa com o Nordesteusou (NES), Bino elencou, além dos problemas enfrentados esse ano, os desafios e metas para o carnaval de 2021.

Confira:

Balanço
A experiência como presidente foi inusitada. Foi extremamente desgastante. Aprendi muito. Tem muita coisa para ser mudada… Saio desse carnaval reforçado e com a sensação de dever cumprido, mas com frustração com aqueles que se compromissaram conosco e na hora esqueceram. Precisamos ter compromisso com a comunidade e ninguém está tendo. Só tenho uma palavra e pensei que todos também fossem assim.
Verificamos alguns erros excessivos. Não há necessidade e, sobretudo, capacidade de um bloco vender 1.200 abadas. O circuito não comporta. Teve bloco que desfilou com mais de mil pessoas e não tinha corda para isso. Resultado: espremeu os seus foliões.


Para os blocos que não completaram o percurso é lastimável. A gente tem consciência que o trabalho foi feito, mas os próprios colegas, coirmãos, não colaboram. Ficamos com duas ou três agremiações que tiveram o seu desfile interrompido pela metade. Não pode um bloco desfilar em cinco horas, isso acaba prejudicando a todos.


Nosso trabalho é fazer a estrutura funcionar, não puxar corda e frente de tio. No entanto, Mas devido a necessidade, incompetência e falta de profissionalismo de alguns blocos nos vimos muitas vezes fazendo papel de segurança de bloco, de cordeiro, de organizador… Isso não é nossa atribuição.


O carnaval desse ano foi estudado, pesquisado e em breve estaremos divulgando um relatório. Foi um estudo meticuloso. Tivemos seis pesquisadores em diferentes pontos do circuito. O carnaval do Nordeste pertence a comunidade. Temos que trabalhar pelo certo.


Atrasos
Alguns blocos cumpriram os horários e fizeram o esforço para me ajudar e ajudar a nossa diretoria. Mas muitos blocos não cumpriram horários e acabaram sacrificando os outros. Precisamos parar de olhar só para nós, e olhar para a comunidade. A ABCN cuida hoje de 45 agremiações. Temos como punir? Temos. Está nos nossos livros de atas e assembleias. Todos terão as suas penalidades. Todos sabem seus direitos e deveres.


Dificuldades
As maiores dificuldades foram referentes a falta de recursos. Colocamos apenas 12 pessoas para trabalhar. O sábado foi o dia mais difícil. Como resolver isso? Sair com o pires na mão solicitando apoio de um de outro. Outro problema foi com a questão dos cordeiros. A empresa contratada teve dificuldades… Não é atribuição da ABCN cuidar dos cordeiros. Os cordeiros não chegavam e impedia a saída dos blocos.


Avanços
A limpeza foi efetiva. A varrição, que não acontecia passou a acontecer. O posto de saúde que abria somente a partir de sábado começou a abrir a partir de sexta. Outro aspecto positivo foi de que alguns blocos que não desfilaram no seu dia, nós conseguimos colocar para sair em outro. Isso não vinha acontecendo.


Governo do Estado e Prefeitura
Temos limitação por conta do Governo do Estado e prefeitura não reconhecerem que nós somos um circuito oficial. Vamos lutar esse ano para isso e a gente possa ter um horário mais extenso, além de um melhor aparato.

Polícia
Hoje, existe um diálogo, que não existia antigamente, com o comando da 40ª Companhia Independente da Policia Militar. Tivemos o apoio deles durante todo o carnaval. Se houve excessos, foram pontuais. Se erramos, eles também erraram e os donos de bloco também. Vamos manter o diálogo com a 40ª e os comandos das policias civil e militar.

2021
Para 2021 temos algumas metas. Primeiro: legalizar o nosso circuito de uma vez por todas como oficial para que tenhamos um espaço maior de tempo para o desfile. No entanto, sabemos que não dá para emendar um dia no outro. Depois vamos tentar viabilizar, através da Coelba, a questão da fiação elétrica. Agora, a fiação de internet e empresas privadas que trabalham no bairro também terão que se adequar. Se não fizeram isso vamos ate Anatel, prefeitura e estado.


Banheiro químico
Percebemos que que as mesmas pessoas que não deixavam colocar o banheiro reclamaram que as pessoas fazem as necessidades em suas portas. Criamos um espaço e a comunidade se apossou do espaço usando “pula-pula”. A comunidade precisa ajudar.


Crianças
Vamos tentar fazer para o ano que vem a criação de um espaço kids. Para que as crianças sejam mantidas num espaço adequado. Meia-noite, uma, duas horas da manhã não é hora de criança estar na rua dentro de blocos no colo dos pais. Existe inclusive um TAC firmado com o MP que fala sobre isso.


Arrastão
Vamos tentar também reativar nosso arrastão. É bom que frise, que vamos tentar, não quer dizer que vamos conseguir. Se somos um circuito oficial temos os mesmos direitos assim como temos os mesmos deveres.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU