“As Direitinhas” aborda o feminicídio no Circuito Mestre Bimba apoiado pelo projeto Bloco do Nordeste

Para o carnaval desse ano, o bloco As Direitinhas resolveu fazer diferente. A valorização da mulher e a luta contra o feminicídio foi o tema escolhido pela agremiação para o desfile do Carnaval 2020.  “Dekka Diretinha”, presidente do bloco, que o grande número de casos de violência doméstico, sobretudo, dentro da comunidade, e os alarmantes índices de feminicídio chamaram à sua atenção para a abordagem da temática dentro do Circuito Mestre Bimba. 

“Um caso acontecido no ano passado aqui na comunidade, com uma amiga irmã minha, Isabela, acabou me despertando a ideia de falar sobre o assunto. É preciso dar um basta nisso. A receptividade dos nossos associados ao tema foi muito boa. Todos gostaram”, disse Dekka.

Presente ao desfile, a fisioterapeuta Isabela Oliveira, que foi vítima de uma tentativa de feminicídio no ano passado, ressaltou a importância da discussão a cerca dessa temática: “Esse tema hoje se trata de um câncer social. A cada dia que passa a gente vê que o feminicídio só aumenta. A cada três horas uma mulher está morrendo. Eu fui vítima de uma tentativa de feminicídio. Hoje, estou lutando por essa causa.  Estou muito feliz pela iniciativa de Dekka de faz das “Direitinhas” um instrumento de informação. Vamos curtir o carnaval e: não é não”, disse Isabela.

CASO – Em março de 2019, a fisioterapeuta Isabela Oliveira foi vítima de uma tentativa de feminicídio por parte de um ex-namorado, que não aceitava o fim da relação. “Me envolvi com uma pessoa e no decorrer da relação me vi que vivia uma relação abusiva. Eu não conseguia sair sozinha nem com minha filha. No final sempre acabava me achando culpada. Achava que não estava sendo uma pessoa à altura dele. Resolvi terminar e ele aí planejou minha morte”, conta.

De acordo com Isabela, quando saía do trabalho, no Hospital Santa Isabel, foi abordada pelo ex-companheiro. Ao entrar no carro, a vítima acabou surpreendida. “Ele estava com mais dois homens que começaram a me agredir. Me enforcaram e me espancaram. Ele friamente me dizia que estava fazendo aquilo porque eu não gostava dele e por isso iria morrer. Tenho uma filha de 17 anos… Ofereci dinheiro para que eles desistissem. Queria a oportunidade de criar minha filha. Deus então me deu a ideia de me fingir de morta. Fiz uma apneia e fiquei quieta. Tomei 68 facadas. Jogaram meu corpo numa ribanceira de 10 m no CIA. Fiquei quieta e eles saíram”.

Debilitada e duvidando se ainda estava viva, a fisioterapeuta acabou socorrida por um casal que passava pelo local. Foi levada ao hospital em estado grave. As agressões lhe custaram 80% da visão do olho direito. O agressor foi denunciado e preso. “É difícil passar por uma situação dessa. Muitas não tiveram a mesma sorte que eu. O que me sustentou foi amor da minha família e dos meus amigos. Isso se serve de alerta a todos. É preciso se trabalhar a questão do machismo tóxico. O machismo é algo cultural e tem que ser trabalhado.  Hoje tenho um projeto de apoio à mulher vítima de violência”, concluiu Isabela.

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU