Com novo trio de cantores e homenageando babalorixás e ialorixás, Afoxé Bamboxê anuncia novidades para o carnaval 2019

Outra novidade é a estreia dos dois novos cantores do grupo: Rick de Deus e Dândara. Esse ano desfile contará ainda com a participação dos músicos Betho Wilson.

E a tão esperada passagem do Afoxé Bamboxê pelo circuito Mestre Bimba promete ser de grande emoção no carnaval 2019. Com o tema “Palmares é o Nordeste” o Bamboxê decidiu reverenciar também os babalorixás e ialorixás que de alguma forma contribuíram para a perpetuação das religiões de matriz africana dentro do Nordeste de Amaralina e região. Nomes como João Luiz de Ogum, Mãe Stella de Oxossi, Alice de Iansã, Everaldo de Oxóssi, Juraci de Logun, Edinha de Oxóssi, Zé Maria de Oxum, Chica de Oyá, dentre outros, serão homenageados tendo suas imagens na fantasia desse ano.  Outra novidade é a estreia dos dois novos cantores do grupo: Rick de Deus e Dândara. Esse ano desfile contará ainda com a participação dos músicos Betho Wilson.

Almir Odun Ará, um dos fundadores e cantor mais antigo do Bamboxê, explica a origem da temática “Palmares é o Nordeste”:  “Essa é a década da afro descendência, onde o povo negro do mundo inteiro têm feito reflexões e fortalecido a memória de luta do povo negro no mundo contra o racismo. A partir desse cenário a diretoria do Bamboxê se reuniu e, pensando no valor histórico de luta de Palmares, junto com valor histórico de luta do Nordeste, nós atrelamos uma histórica com a outra fazendo essa alusão: Palmares é o Nordeste”. Sobre a homenagem aos sacerdotes na fantasia, Odun Ará pontua: Ano passado tivemos uma bata e esse ano fizemos o pano para que as pessoas fiquem livres para construir suas roupas de acordo com as indumentárias da religião de matriz africana. O pano não é um qualquer. É pano de cetim. Achamos que nosso povo tem que vestir com o melhor. O afoxé e o bloco afro têm a missão de levar para rua o ensinamento da verdadeira história do nosso povo. Então colocamos em nossa fantasia a foto daqueles que são a nossa história”. A chegada de novos membros também é celebrada por Almir que afirma: “Afoxé é o candomblé na rua. Tem várias vozes. Estamos trazendo outras gerações, gente de fora, de outros bairros… Negros como nós! E vamos trazer mais! A pluralidade é importante dentro do candomblé”.

Novos membros – Outra novidade do Afoxê Bamboxê para esse ano é a entrada de dois novos membros para o vocal do grupo: Rick de Deus e Dândara. Cláudio Henrique de Deus é nascido e criado no bairro do Calabar. “De Deus”, como é chamado, iniciou sua carreia musical através da capoeira através das músicas e cantigas cantadas nas rodas. Em 2012, teve a oportunidade de participar do programa ídolos, chegando até a final. “Daí minha carreira começou a alavancar. Entrei numa banda chamada Simple Black. Hoje faço também MPB. Tenho três anos de experiência puxando trio elétrico no carnaval. Já viajei pela Europa e pelo Brasil trabalhando com música”, conta De Deus que chegou ao Bamboxê através de “Manga”. “Fiz o teste, passei e vesti a camisa do projeto. Meu primeiro show foi feito na festa de Obaluaê em São Lázaro.  A expectativa é a melhor possível…. Levar minha mensagem para o público do Nordeste de Amaralina através da música”, diz.

Já Dândara Cruz, nascida e criada em Simões Filho, viveu suas primeiras experiências musicais no movimento Hip Hop. A jovem via na música uma oportunidade de reivindicar espaço e visibilidade da voz feminina. “O Afoxé Bamboxê, no entanto, surge como divisor de Águas quando eu decidi ir em busca A musicalidade Expressa na sinergia do afoxé me trouxe uma conexão ancestral, através da mistura rítmica e do culto as entidades das matrizes africanas”, salienta Dândara que vive a expectativa para seu primeiro carnaval no grupo. “O carnaval 2019 é um misto de prazer e mistério, o segundo destaca-se pela desafio de algo nunca feito por mim antes, mas sem sombra de dúvidas será um marco na minha vida”, explica.  

AFOXE BAMBOXÊ – Criado em 20 de novembro de 2009, o Afoxé Bamboxê é formado por músicos do Nordeste de Amaralina, praticantes do candomblé e umbanda, e cerca de mil associados. Além de renovar a cena cultural da cidade, o Bamboxê busca realizar atividades educativas e sociais, incluindo também as linguagens da dança, capoeira e resgate histórico da cultura de matriz africana na comunidade do Nordeste de Amaralina. Inspirados no simbolismo do Filhos de Gandhy (afoxé da paz) e na força transformadora do Ilê Aiyê e Malê Debalê, blocos afros com expressiva participação em suas comunidades de origem, a proposta do Bamboxê é sensibilizar as pessoas através da arte. Temas como o combate à violência, ao uso de drogas e à injustiça social estão presentes no repertório do grupo, que também busca a valorização da vida, da diversidade cultural e de gênero

COMPARTILHAR
Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU